O Rio São Francisco, o Velho Chico, também conhecido como o “rio da integração nacional”, tem sua nascente histórica localizada na Serra da Canastra, no sudoeste do Estado de Minas Gerais. Percorre os territórios de Minas Gerais e Bahia, de sul a norte, e faz a divisa dos estados da Bahia e Pernambuco, e de Alagoas e Sergipe, desaguando no Oceano Atlântico, depois de percorrer cerca de 2.800 km em território nacional.

Atualmente, um projeto de transposição de parte de suas águas para os áridos sertões nordestinos vem alimentando extensas discussões acerca da viabilidade econômica e dos impactos ambientais que poderá causar à região. A questão se agrava quando consideramos o estado de degradação das matas ciliares em toda a extensão do rio, o assoreamento de seu leito e o efetivo resultado do desvio de suas águas, nas expectativas de mudanças climáticas para a região.

É neste contexto que se insere nosso projeto de navegação fluvial a remo, que teve início em Vargem Bonita, em Minas Gerais, próximo da cachoeira Casca Danta, depois de percorrer a trilha desde a nascente, seguindo em canoa canadense por cerca de 400 km até a entrada do lago de Três Marias, e prosseguirá até a sua foz na divisa de Alagoas e Sergipe.

Além desse objetivo primordial, nosso propósito também é o de registrar e documentar as ocorrências de degradação ambiental verificadas “in loco”, através de relatos, depoimentos, fotografias e filmagem; e ainda avaliar, por meio de entrevistas, o grau de comprometimento da população ribeirinha com a preservação de seu principal rio, documentando a cultura e o folclore regionais associados ao rio São Francisco.

Na região do Parque Nacional “Cavernas de Peruaçu” realizaremos visitas a algumas de suas cavernas, com o propósito de conhecer, documentar e divulgar as riquezas do Parque Nacional, e verificar o estágio atual de implantação do seu Plano de Manejo, bem como seu potencial turístico e espeleológico.

Um documento eletrônico intitulado "Protocolo do São Francisco" foi elaborado, com o propósito de coletar assinaturas de autoridades, estudantes, empresários, professores e comunidade ribeirinha, conclamando-os a se comprometer com a preservação ambiental, através de ações saneadoras e de conscientização ambiental. Esse documento, ao final da expedição, será encaminhado às autoridades federais, estaduais e municipais, às organizações não governamentais e à imprensa, de modo a assegurar esse comprometimento.

Ao final da expedição, um livro-documentário ilustrado será produzido, avaliando as condições encontradas durante o percurso do rio São Francisco, quanto à preservação ambiental, comprometimento político de governadores, prefeitos e vereadores, e conscientização da população ribeirinha quanto à importância e participação do São Francisco em suas vidas.

Finalmente, nosso propósito é apresentar palestras de conscientização ambiental nas localidades ribeirinhas visitadas, colaborando para a formação de uma consciência ecológica que contribua para a recuperação das áreas degradadas e para a preservação do rio, da flora, da fauna, e da população. Para isso pretendemos associar nossa presença a campanhas regionais e nacionais de preservação ambiental.



Iguatama, Minas Gerais

Iguatama, Minas Gerais
Foto: Closé Limongi

O Expedicionário


João Carlos Figueiredo
(सिद्धार्थ गौतम), 59 anos, ambientalista, mergulhador, canoista, espeleólogo, fotógrafo amador, montanhista e escritor, trabalhou durante 35 anos em Informática. Autor de "Anhumas... meu lugar além...", livro de poemas, crônicas e contos, e do livro digital (CD) "O Ciclo do Café", sobre a história do Brasil no período de 1856 a 1932.

Desde 2000 dedica-se a atividades de aventura na Natureza, sendo mergulhador PADI, com certificações de Assistant Instructor, Dive Master, Rescue Diver, Wreck Diver, Equipment Specialist, Nitrox Specialist, Navigation Specialist, Emergency First Response e Medic First Aid, com mais de 100 mergulhos realizados no Brasil.

Montanhista, foi associado ao CAP - Clube Alpino Paulista desde 2005; participou de cursos de montanhismo, auto-resgate e escalada em rocha, e do treinamento experencial “FEAL – Formação de Educadores ao Ar Livre”, ministrado pela Outward Bound Brasil, em expedição autônoma de 15 dias à Chapada Diamantina, em novembro de 2008.

Fez treinamento intensivo de Escalada em Rocha em São Bento do Sapucaí, com Eliseu Frechou, escalando vias na Pedra do Baú, Ana Chata, e nas falésias da Divisa e Vista Aérea, além de técnicas de auto-resgate e de treinamento de ancoragem móvel em campo-escola.

Participou de visitações, trilhas e mergulhos nos Parques Ecológicos Nacionais e Estaduais de Aparados da Serra (RS), Itatiaia (RJ), Serra da Canastra (MG), Amazônia (AM), Serra da Mantiqueira (SP), Serra do Mar (SP), Vassununga (SP), Chapada Diamantina (BA), Chapada dos Veadeiros (GO), Parques Nacionais Marinhos de Abrolhos (BA) e da Laje de Santos (SP), Ilha Grande (RJ), Serra Fina (MG) e Serra da Bodoquena (MS).

Espeleólogo, participou de congressos da Sociedade Brasileira de Espeleologia e da Redespeleo e realizou visitações às cavernas do PETAR - Parque Estadual Turístico do Alto do Ribeira e da Chapada Diamantina.

Pela ABETA, Associação Brasileira das Empresas de Turismo de Aventura, fez os cursos de Gestão de Segurança, Gestão Empresarial e Competências Mínimas de um Condutor, através do programa Aventura Segura desta entidade.

Fotos da expedição

Depoimento de Roberto Rocha, pescador, Lagoa da Prata, MG

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Barra: o encerramento de uma grande etapa!


Cheguei a Barra ontem, dia 02 de novembro, pleno finados!

Desde Paratinga, duas experiências muito importantes: as visitas aos quilombos de Boa Vista do Pixaim e de Torrinha! Pessoas muito especiais vivem nessas comunidades... pessoas oprimidas pelo nosso sistema social e econômico, extremamente elitista e excludente, que ignora o fundamento da vida humana: a sua dignidade!

Mesmo depois das ameaças sofridas decidi visitar essas comunidades, pois minha viagem só passou a ter sentido em função delas, que me enriquecem profundamente e me tornam um ser mais humano e solidário. Eles sim, são heróis, mártires vivos de uma opressão tremenda de nosso sistema político e social!

É difícil conceber uma população que vive há duzentos, trezentos anos em uma terra, descendentes diretos de escravos foragidos de seus algozes, e ainda assim, sendo ameaçados de expulsão pelos fazendeiros que os cercam e impedem que tenham uma vida digna. Muitos desses fazendeiros nem conhecem esses verdadeiros moradores; muitos mal sabem de suas próprias terras, herdadas pela ilegalidade de nosso poder estabelecido, griladas ou invadidas, até mesmo em áreas pertencentes à União, às margens do Velho Chico!

Mas a verdade se restabelecerá, um dia, e fará justiça a esses homens e mulheres, velhos e crianças esquecidos neste mundo imenso dos sertões Bahianos, e receberão suas terras, e cultivarão seus próprios alimentso, assim como aprenderam de seus antepassados, em lameiros, sem agrotóxicos, naturalmente...

Em Boa Vsita do Pixaim fui recebido por Alex e sua família, e hospedado como se um parente fosse, com toda a atenção e carinho de um velho amigo, que assim já me sinto. Falei para a comunidade, relatei meus pensamentos, convidei-os a refletir sobre a devastação que se abate sobre o rio São Francisco, a defender seu legado e lutar para que seus filhos - nossos filhos - tenham um mundo do qual se orgulhem!

Ainda há muito para se fazer nessas terras: drenar os baixios que se alagam a cada chuva, cultivar o milho a abóbora, a mandioca, o tomate, a melancia... cuidar da criação de porcos, galinhas e cabras, investir na reconstrução de suas casas de taipa, trazer a cultura para seus lares, enfim, inclui-los no mundo atual!

Saí de Boa Vista do Pixaim fortalecido pelo convívio e pela solidariedade recebida e prestada a eles, com minhas energias recuperadas e determinado a seguir até o final de minha jornada.

Passei por Torrinha por acaso... estava na outra margem do rio quando avistei uma enorme montanha de rochas e, em seu pé, ruínas de construções antigas, que me chamaram a atenção e me levaram a atravessar o rio e saber o que era aquilo. Era Torrinha, uma comunidade quilombola com cerca de 70 famílias, em um local magnífico, de grandes possibilidades turísticas e potencial de desenvolvimento econômico rápido.

Na margem, Juarez, o líder da comunidade me esperava há três dias! Fiquei impressionado! Almoçamos juntos e já partimos para uma visita inusitada: passamos pelas ruas da comunidade e pude fotografar as pessoas, as construções, os arruamentos... nada ficou esquecido! Juarez até me indicava os melhores ângulos, as melhores fotos; pedia aos moradores para colaborar... enfim, fiz o que precisava.

Descemos à margem do rio, onde duas enormes mangueiras centenárias abrigavam a maioria dos moradores. Fiz uma palestra emocionado e impelido pela vontade de falar a todos sobre o projeto, as agressões à natureza, os descaminhos do homem nas terras de Deus! Falei por mais de uma hora, a tarde avançando em meu relógio, mas nem sentia necessidade de prosseguir viagem.

Enfim, às 5 horas, saí, abraçado ao povo, compartilhando as mesmas emoções, irmanados pelo mesmo sentimento de união e de revolta pelas injustiças que se abatem sobre esse povo indefeso.

Naveguei por mais umas duas horas e acampei em uma bela praia. Foi uma noite inesquecível, de lembranças recentes e de intensas ambições futuras. Preciso realizar meu projeto e denunciar esses abusos!

Amanhã conhecerei Frei Luiz Cappio e será uma nova e intensa emoção em meu percurso...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Paratinga, Bahia

UM POUCO DE HISTÓRIA

Paratinga é um município brasileiro do estado da Bahia.

Era a maior cidade de sua micro região; suas terras se estendiam por onde hoje é Bom Jesus da Lapa, Ibotirama, Macaúbas, dentre outras 17 cidades do oeste baiano que já fizeram parte de sua composição. Cidade de história e cultura muito rica, até hoje preservam-se casas com características barrocas. Sua população em 2004 era de 29.474 habitantes, estimada hoje em 30.230. A caatinga é a vegetação predominante. Paratinga tem pontos turísticos lindíssimos, como por exemplo, as Águas Termais do Paulista e do Brejo da Moças, com piscinas naturais de água termo-mineral, além da Gruta da Lapinha, com desenhos rupestres ainda conservados, com potencial turístico a ser explorado. Possui a maior ilha fluvial do Rio São Francisco, denominada de Ilha de Paratinga. O município é banhado pelo Velho Chico e em toda sua extensão possui belas praias e recantos ribeirinhos com um grande potencial para a prática da pesca esportiva, o que tem atraido muitos visitantes até de outros Estados da Federação.

História

Em 1.746, uma fazenda de gado denominada Santo Antônio do Urubu de Cima foi promovida à categoria de Vila. Em 2 de maio de 1835 foi criada a Comarca do Urubu com objetivo de levar o poder do governo imperial à região. Em 25 de junho de 1897 é elevada à categoria de cidade, com o nome de Cidade do Urubu. Em 29 de maio de 1943 o nome do município é alterado para Rio Branco. Em 31 de dezembro de 1943 o nome da cidade sofre nova alteração passando a se chamar Paratinga, rio branco na língua tupi-guarani.

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Histórias à parte, cheguei a Paratinga no dia 26 de outubro, uma segunda-feira, e já me surpreendi com o grande banco de areias que assoreia a entrada da cidade. Esse problema é uma constante em todo o médio São Francisco, mas sempre nos incomoda, pela gravidade da situação.

Paratinga tem uma bela igreja, ornamentada por santos barrocos e um adro de madeira com pintura do final do século XIX. A igreja está bem conservada e preserva púlpitos de madeira trabalhados em ouro, altares ornamentados com imagens religiosas de elevado valor artístico e portas de madeira maciça originais. Vale a pena conhecer!

A hospitalidade desse povo bahiano é uma constante em todas as cidades que visitamos. Comida caseira, sempre com o tradicional arroz, feijão, abóbora e farinha de mandioca, e uma pimentinha que os bahianos nos alertam: `cuidado com ela`!

Já passei dos 1350 km percorridos e sigo adiante em direção ao submédio... minha experiência pelo meu Velho Chico é cada dia mais excitante, seja pela atenção que recebo das pessoas, seja pela beleza das paisagens.

Mas o que me impressiona realmente é a cultura do povo ribeirinho! É preciso conservar esses aspectos tradicionais do povo brasileiro, que as novelas apagaram, ou transformaram em folclore, mas que permanecem vivos nas pessoas simples do interior. É uma viagem pelo tempo, reminiscências de minha infância no interior paulista, na cidade de Dracena, quando essas mesmas paisagens ainda faziam parte de meu cotidiano.

Os grandes centros urbanos apagaram definitivamente essas memórias, mas aqui elas permanecem vivas e fecundas, como a verdadeira alma brasileira!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Bom Jesus da Lapa, Comissão Pastoral da Terra

Pronunciamento no encontro da CPT, dia 22 de outubro de 2009
Sob a estátua de Francisco, nosso mestre, nosso irmão, um pequeno olho d´água, rebento da terra, recém nascido, busca a luz do sol e começa sua jornada nesse mundo de Deus. Mal sabe aquele filete de água, o seu destino; e, como criança, serpenteia pelos vales das colinas da Canastra, juntando a suas águas as de outros regatos pequeninos como ele. Caminha assim, nos altiplanos do cerrado, até formar volume e criar coragem para lançar-se à aventura de saltar da montanha e descer as encostas dos morros, em direção ao mar. É a Casca Danta, uma das belas cachoeiras que ornamentam nosso país, com seus quase 200 metros de queda pelas rochas, até formar um lago de águas escuras e geladas.

Segui seu curso, caminhando na montanha; desci ao seu lado pelas rochas, e me coloquei em suas águas para descermos juntos daí em diante, unindo meu destino ao seu, entre corredeiras e remansos, cercados de mata virgem e animais silvestres, como gostava o Santo de estar. Suas águas cristalinas correm sobre um leito de pedras arredondadas, seixos roliços de tanto rolar pelos séculos, desde a montanha. Novos riachos depositam suas águas em cascatas prateadas, trazendo consigo a vida de outras matas, peixes, pássaros de toda espécie, num abençoado Jardim do Éden...

Por mais de dez dias, eu, chiquinho (como o chamam os ribeirinhos) e os animais convivemos nessa terra prometida que os homens, aos poucos, vão devastando, plantando milho onde só havia floresta, criando gado, poluindo suas águas com seus esgotos e agrotóxicos, até que aquela pureza não exista mais.

Quando chega o Samburá, o Sâo Francisco já é quase adulto, mais calmo, águas lamacentas e turvas, quase largo o bastante para não se deixar atravessar às braçadas de um nadador. Se antes as canoas dos pescadores não ousavam descer a montanha, agora surgem às dezenas, plantando caniços nas margens, arrastando redes que cercam os peixes, raspando o fundo do rio, sem chance de sobrevivência para muitos animais.

A algazarra dos pássaros diminui nas margens desnudadas de sua roupagem verde. E a avassaladora força das águas nas cheias leva os barrancos para o meio do rio, arrancando árvores, alargando as margens e tornando raso o leito do rio. Cada vez mais lavouras de monocultura de soja e cana de açúcar, e pastos de brachiaria empobrecem a paisagem, e inundam o rio com produtos químicos, matando seus peixes, que um dia foram grandes e tantos que não faltavam nas mesas dos homens.

Setenta léguas depois, o rio pára, contido pela barragem das Três Marias! Um muro gigantesco contém seu ímpeto e o aprisiona no grande lago azul que se formou a montante. É uma falsa pureza esse azul... todo o barro que corria junto às águas, agora se assenta no leito da represa, e os peixes de correnteza já não podem mais caçar. Em suas margens, a escassa vegetação já não abriga a vida. Apenas ranchos e clubes de pesca dos homens, que para ali se dirigem apenas para se divertir.

E, ao lado da barragem, o símbolo da ambição desmesurada dos homens se instalou, trazendo consigo a morte. Uma indústria de metais, que nas margens desse rio bendito deposita seus dejetos, produtos químicos e metais pesados, que nas cheias maiores escorrem para as águas, dizimando peixes aos milhares, e contaminando seu leito.

Depois disso, é muita tristeza, trazida pelas mãos dos homens; além dos resíduos industriais, esgotos urbanos e agrotóxicos! Um rio inteiro de esgotos da capital mineira é despejado no rio, depois de Pirapora: o rio das Velhas! Melhor seria chamá-lo o rio das Mortes!

Às vezes o rio é tão raso que quase dá para atravessá-lo a pé, caminhando... e, no entanto, muito de sua beleza resiste e permanece: os mais belos crepúsculos e ocasos, o sol tingindo o céu com todos os matizes de cores, um espetáculo emocionante!

Mas as queimadas e a motoserra não nos deixam esquecer a perversidade do homem, movido pela ganância de roubar do rio sua roupagem de vida. Para que? eu me pergunto... se aquilo que dele roubou para aumentar sua palntação o rio irá tomar de volta nas enchentes? Porém, o rio se alarga ainda mais, e agoniza lentamente, levando, nesse lamento, a vida que abrigava em seu manto sagrado...

É preciso fazer alguma coisa! O rio não pode morrer! Pois ele acolhe  também um povo simples, honesto, generoso, o verdadeiro ribeirinho, que há séculos se instalou em suas margens e ali criou sua história de lutas e sofrimento, mas também de respeito pacífico pelo rio Sâo Francisco...

É desse povo, quilombolas, indígenas, pescadores, pequenos agricultores, que sairá o grito de redenção:


Salvem o rio São Francisco!
Salve o nosso Velho Chico!

São Francisco Vivo: Terra, Água, Rio e Povo!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Degradação ambiental


Áreas totalmente degradadas se sucedem ao longo do rio São Francisco, em decorrência da destruição das matas ciliares. Os barrancos desprotegidos desabam no período das chuvas e as áreas roubadas da Natureza são restituídas ao rio. O que parece uma esperteza dos ribeirinhos, torna-se uma estupidez porque, além de perderem a beleza e a proteção das matas e de seus habitantes (os animais), perdem também suas terras, que irão contribuir para o assoreamento do rio. Mais largo, o rio sofre pelo aquecimento das águas e a consequente evaporação. Diminuindo o volume de suas águas, reduz também o estoque de peixes, em uma corrente perversa de acontecimentos que a todos pune pelo mal de poucos.

O rio morre lentamente...

Homenagem ao líder do 17 de abril


Família de Afonso, lider assassinado do acampamento "17 de abril", instalado há quase seis anos na fazenda Bonanza. Homenagem ao companheiro, vítima da luta pela posse da terra e da reforma agrária, que se arrasta no Brasil há mais de um século, pelo descaso das autoridades e pela truculência dos latifundiários, que se recusam a conceder um pequeno pedaço de seu imenso patrimônio para abrigar uma centena de famílias sem terras.

Vista interna do Santuário de Bom Jesus da Lapa



Essa obra impressionante foi erigida no interior de uma caverna situada em uma formação cárstica única na localidade de Bom Jesus da Lapa. Anualmente recebe a visita de centenas de milhares de fiéis, que chegam em busca de um local para orações, preces e graças.

O Santuário de Bom Jesus da Lapa fica no município de Bom Jesus da Lapa no estado da Bahia, distante 796 quilômetros de Salvador. O santuário foi eleito a primeira das sete maravilhas do Brasil numa pesquisa feita pelo sítio da internet 7 Maravilhas Brasil. Descoberto em 1691, a Gruta do Bom Jesus, a mais conhecida do Morro de Bom Jesus da Lapa e antiga morada de onças, serve como Igreja do Bom Jesus da Lapa. O Santuário funciona numa gruta de pedra descoberta a mais de 350 anos pelo português Francisco Mendonsa Mar que era pintor e artista plástico, contratado pelo governador geral do Brasil na Bahia para pintar o Palácio da Aclamação, então sede do governo, após os trabalhos invés de receber pelo trabalho, foi jogado na prisão com seu escravo e açoitado. Quando solto, decidiu deixar a cidade do Salvador e levou consigo as imagens de Jesus crucificado e Nossa Senhora da Soledade. Após andar muitos meses, encontrou o Morro de Bom Jesus da Lapa, que possui 90 metros de altura. Dentre as nove grutas existentes no morro, abrigou-se na Gruta do Bom Jesus, onde colocou as duas imagens.
No período dos garimpos de ouro em Minas Gerais, os garimpeiros passavam perto da gruta e viam a luminosidade das velas que ele acendia, e assim foi se formando as romarias.
Hoje, trezentos anos depois, o santuário ainda atrai muitos romeiros, sendo um dos santuários mais conhecidos do Brasil. O zelo pastoral do santuário está entregue aos padres da Congregação do Santíssimo Redentor (CssR), popularmente conhecidos como Redentoristas. 

Fonte: Wikipédia

Comunidade quilombola de Barra do Parateca


Igreja Evangélica Nazareno Pentecostal
Moradores do quilombo que me prestigiaram na palestra sobre Preservação Ambiental e Revitalização do rio São Francisco 

Bom Jesus da Lapa - uma grata surpresa!


Quem chega a Bom Jesus da Lapa logo se depara com uma grande rocha arredondada isolada da paisagem, quase toda plana e baixa. Trata-se de uma rocha calcárea cárstica onde se localiza o mais famoso Santuário católico do Brasil.
Cheguei às 11:30 horas. Passei sob a grande ponte que atravessa o Sâo Francisco e aportei em um local onde ancoram os barcos de passageiros e fica a uns 2 km do centro da cidade. Foram me receber o Juliano, da Pastoral da Terra, e Walder, secretário de Agricultura. O problema é que os veículos não chegam até o cais, pois existe um braço de rio isolando a estrada.Tivemos que levar canoa e tralhas em uma carroça.
Ontem visitei um acampamento do CETA - Central Estadual de Trabalhadores Assentados e Acampados: o 17 de Abril. Era uma data especial, segundo aniversário do assassinato de seu líder, Afonso, muito admirado e respeitado pela comunidade, que luta há quase seis anos pela posse das terras ocupadas, na fazenda Bonanza. Almoçamos com os trabalhadores e compartilhamos um pouco de sua história sofrida em defesa do direito à posse de uma pequena área de terra para sua sobrevivência digna e honesta.
A visita ao Santuário impressiona, não somente pela magnitude da obra realizada dentro da caverna, mas também pela devoção das pessoas pobres, que vêem na oração o caminho para superar seu sofrimento e alcançar a "graça" pedida ao Deus de seus corações.
Desde ontem tenho a companhia de minha querida filha Mônica, que veio a Bom Jesus especialmente para me visitar! Depois de tanto tempo no rio é uma alegria imensa encontrar alguém a quem tanto amamos e compartilhar nossas experiências e contar nossas aventuras!

Antes de Bom Jesus estive na comunidade quilombola de Barra do Parateca, onde conheci o Pastor Almir, o líder Elson e me hospedei na casa de dona Maria, a Parteira que já realizou mais de 170 nascimentos na comunidade. Foi uma visita emocionante, onde falei para mais de 50 pessoas no templo evangélico Nazareno Pentecostal, uma audiência atenta e generosa, que me trouxe grande conforto espiritual nessa viagem de extremos esforços físico e psicológico. Agraeço a todos que me acolhem com tanto carinho e compreensão.

domingo, 11 de outubro de 2009

Igreja de Malhada


Nem em filme japonês!


sábado, 10 de outubro de 2009

Canoista já percorreu 1.200 km e chega à Bahia


Chegando hoje a Malhada/BA, João Carlos Figueiredo encontra carinhosa recepção de moradores, apoiados por Jojô, professora e líder comunitária, membro atuante da Comissão Pastoral da Terra e comprometida com a causa da revitalização do rio São Francisco.
Há cerca de 20 dias retomei minha jornada. Ao todo, excluindo-se o período de interrupção, foram 41 dias de viagem pelo rio São Francisco, cerca de 1.200 km percorridos e 1.100 km remados.
Os livros nos dão a ilusão do conhecimento. Através deles, parece-nos que tudo se resume a datas, nomes, números e eventos isolados.
A realidade, porém, é outra. Há um interrelacionamento dos fatos, dos ambientes, das pessoas, que a literatura não consegue captar. Tudo faz parte de um mesmo universo, ainda que barreiras e rupturas não permitam nosso pleno entendimento dessa integração.
A sistematização do conhecimento tem seu papel didático e de organização do saber para que nossas mentes limitadas consigam captar e compreender esse mundo.
Mas esse processo de síntese não pode reduzir tudo a fragmentos que venham a mascarar a verdade, ocultando informações relevantes e imprescindíveis ao entendimento.
Falo do São Francisco. Existem descontinuidades naturais, como é o caso da passagem do rio pela Serra da Canastra e a ruptura provocada pela cachoeira Casca Danta. Repentinamente, o rio cai de forma brusca e passa a correr pelos vales, alternando curvas, remansos e corredeiras, até encontrar seu plano natural, depois de cerca de 100 km, a partir do qual terá uma declividade de 4cm/km.
Existem, também, as intervenções humanas, violentas como as barragens que represam milhões de tonelada de água, mudando as feições do rio e afetando profundamente sua hidrografia e vida interior.
E existe, ainda, a presença humana, dependente do rio, segregada em comunidades ou esparsa ao longo de suas margens, ora vivendo inocentemente, ora transgredindo as leis da preservação da Natureza, ameaçando a vida.
Já passei por muitas regiões e pude constatar a maioria dos problemas descritos na literatura, debatidos publicamente, exibidos em documentários.
Mas nada é mais cruel do que a própria realidade, e só quem percorre o rio lentamente como eu pode compreender a sua verdadeira dimensão.
O rio São Francisco é um gigante. Ninguém poderia conceber a morte desse colosso, por maiores que sejam os maltratos a que ele está submetido.
No entanto, ainda estou na área de formação desse rio, recebendo os últimos tributários perenes que agigantam suas águas. E, no meio de seu curso, onde deveria ter a força da juventude, imensas áreas de assoreamento chegam quase à superfície pela metade de sua largura.
De onde vem tanta areia? Algumas até se transformaram em ilhas, outras não...
É desse processo contínuo que eu falo. O homem destrói as matas; as águas fazem o resto, arrancando as terras dos barrancos e arrastando-as ao longo do rio.
Essas se transformam em areia e se depositam no fundo, tornando o rio mais raso e mais largo. As águas, por consequência, se aquecem e evaporam com mais intensidade. Os peixes de águas profundas desaparecem...
A poluição provocada por esgotos urbanos, resíduos industriais e agrotóxicos fazem o resto, matando os peixes, que são cada vez menores, seja pela pesca predatória, seja pelas dificuldades crescentes para se reproduzir.
Pode um rio gigante como o Velho Chico morrer? Talvez secar por completo seja difícil e leve anos demais para a efêmera existência humana.
Mas existem outras formas de se morrer. Perder a vitalidade, tornar-se imprestável para o consumo humano, deixar de abrigar a rica fauna que ainda subsiste em suas margens... formas talvez mais cruéis...
Pois o rio São Francisco está morrendo!
As matas descontínuas já não abrigam as grandes espécies de felinos, símios e tantos outros animais, como jacarés, raposas e pássaros que deixaram de fazer parte da diversidade biológica de suas margens.
As matas de fachada, tristes cenários que ocultam a perversidade do pequeno e do grande produtor rural, apenas evidencia o descaso dos governos que não fazem cumprir as leis e não punem com rigor esses criminosos.
Ainda não senti o peso do semi-árido, das baixas pluviosidades das caatingas, e já percebo essas situações extremas.
E o poder público, o que faz? Contra grandes problemas, pequenas soluções que se arrastam com a má vontade e a ignorância de quem não conhece a realidade do rio.
Minha percepção é limitada ao curso do rio, às poucas comunidades que visitei, aos raros depoimentos que colhi. E, no entanto, já posso afirmar a extrema gravidade do quadro que encontrei.
O Progresso é inexorável, dizem os desenvolvimentistas, para quem tudo é permitido em nome da nova economia e do enriquecimento das elites.
Mas seria essa a única via para o futuro da humanidade? Consumir todos os recursos naturais até exaurir o planeta, inviabilizando a vida na Terra?
Existem outros caminhos, que passam por um conceito mais sólido de responsabilidade social, compromisso com o meio ambiente e com a eliminação das desigualdades sociais.
Dizem que não existem castas em nosso país... seria verdade? E como explicar o inevitável destino reservado às populações menos favorecidas e mesmo na miséria absoluta???
A eles, casta inferior e desprezada, só resta se conformar com o futuro, acreditar na vida eterna e convencer seus filhos a não se rebelar contra as injustiças, o abuso do poder e a extrema arrogância de suas elites...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Igreja de São Francisco


Pôr do Sol na minha praia, às 18:00 horas


Morram de inveja!

Pôr do Sol na minha praia, às 18:00 horas



Carro de Boi na praia, a 18 km de São Francisco


Minha canoa, agora com Guarda-Sol!


Igreja de Nossa Senhora do Rosário em São Romão


Carro de Boi em São Romão


quarta-feira, 30 de setembro de 2009

São Romão


Casarão de 1.880 em São Romão
Cheguei a São Romão ontem, às 16:00 horas, depois de ser alcançado pelo vapor Benjamin Guimarães. O Comandante soou o apito me saudando, e eu me senti recompensado por aquele gesto de atenção!
O calor no rio é insuportável! Por várias vezes tive que parar sob a sobra de árvores para me recuperar de uma quase insolação... bebia água sem parar, mas não era suficiente; e com o tempo, a água foi se tornando morna, depois quente... bebi dois litros de água e a transpiração era constante.
No caminho havia trechos onde o assoreamento era tão intenso que metade do rio estava tomada por praias de areia. O vapor ziguezagueava, procurando águas mais profundas. E os pescadores reclamam que Três Marias aumenta a vazão para permitir que o barco possa navegar nessas águas cada vez mais rasas do Velho Chico... Até quando? Um dia os peixes desaparecerão por completo e essa gente pobre não terá como se sustentar. E então será tarde depmais para se to,ar alguma providência!
Para piorar, dizem que foi introduzida uma espécie estranha ao rio, o pacu caranha, e o surubim está desaparecendo do rio...
Chegando a São Romão não havia nenhum apoio me aguardando. Consegui ajuda de um mecânico, "seu" Joaquim, que prontamente levou seus ajudantes e tiraram a canoa do rio e levaram para a oficina, onde guardei minhas tralhas. Conhecendo meu projeto, ele me disse que tinha prazer em me ajudar.
Procurei um hotel simples para me hospedar; fiquei no São Geraldo, onde pude tomar um banho, lavar minha roupa, beber muita água e descansar um pouco. Fui, em seguida, a uma padaria; o calor interno não cessava! Parecia que estava com febre e exalava calor pelos poros; tomei dois sorvetes, bebi água de quatro cocos, mais uma garrafa de água, e outro sorvete. No hotel, ainda sentia esse calor me invadindo...
Dormi bem, com o ventilador ligado, e acordei muito cedo, apesar do cansaço; era o hábito!
Saí à procura das casas antigas, pois me disseram que a cidade tinha mais de 400 anos; mas não existe nada preservado; em vez de casarões antigos, casas velhas e mal cuidadas. Mas a cidade está em reforma e pode-se ver muitas pequenas obras: asfaltamento de ruas, limpeza de terrenos, construções...
Fui à padaria e tomei café da manhã, seguindo para a prefeitura. Lá encontrei Cândida, a secretária da cultura, que abriga também um chefe de agricultura; conversei com ele e me passou muita informação interessante a respeito do município. Nota-se que as voçorocas destroem grande parte do município, sem dinheiro para conter a degradação; existem projetos que tramitam nos órgãos federais há anos, sem resposta. O PAC faz obras de saneamento de esgotos, mas é muito pouco para a gravidade dos problemas ambientais.
Ficarei hoje por aqui, tentando obter mais informações e descansando do sol; amanhã saio cedo em direção a Januária, mais cinco dias de viagem. Comprei um guarda-sol que os pescadores visitantes costumam colocar em seus barcos a motor; vou tentar adaptá-lo à canoa e reduzir a incidência de sol...
Também comprarei uma caixa de isopor para guardar minha água e tentar mantê-la a uma temperatura suportável. Hoje não tem fotos, pois esqueci o cabo e a velocidade da rede é muito baixa. Até Januária!

sábado, 26 de setembro de 2009

Vapor Benjamin Guimarães



Foto: Closé Limongi
25 de setembro de 2009, Pirapora, MG

Os vapores que faziam o trajeto do São Francisco no início do século passado eram todos movidos a lenha e queimaram grande parte da mata ciliar em toda a sua extensão. Eram mais de 35 barcos, a maioria vida do Mississipi e, com a desvalorização do transporte fluvial, acabaram em desuso. Na ditadura militar muitos foram queimados, outros afundados e o que restou foi desmontado e vendido como sucata!
Só restou o Benjamin Guimarães... hoje ele ainda usa lenha como combustível, só que de eucaliptos, de "reflorestamento"! Apesar disso, é um marco histórico da vida nacional e traz divisas para os municípios por onde circula: Pirapora, Ibiaí, Ponto Chique, São Romão, São Francisco e Januária.

PIRAPORA: uma viagem ao passado

Foram três dias de canoagem desde Três Marias. Logo na primeira tarde encontrei uma bela ilha para acampar; um gramado extenso e tranquilo, onde montei acampamento. Estava feliz por ter superado a "cachoeira" Grande, com o apoio de Norberto, figura lendária do Velho Chico e grande conhecedor de seus mistérios. À noite a chuva chegou... primeiro, um festival de raios e trovões, prenúncio de tempestade. Minha barraca estava a uns cinco metros da água, em uma pequena elevação. Aparentemente, não deveria me preocupar. Mas não tive tempo de fazer um jantar e me contentei com minhas sementes e damasco. Escrevi um pouco e adormeci.
Subitamente, acordei com pássaros cantando e voando agitados. Era um mau sinal... olhei para fora da barraca e a água subira quase meio metro, aproximando-se da barraca. Olhei o barco: tivera o cuidado de retirá-lo da água e emborcá-lo, pouco abaixo de onde eu estava; com a subida do rio, ficou meio submerso, inclusive com algum material, cabos e uma sacola, tudo dentro dágua.
Não tive alternativa, senão me levantar e preparar um plano de evacuação, caso o rio subisse mais um pouco. Improvisei uma sinalização; se a água chegasse àquele ponto, seria hora de partir. Juntei todas as sacolas, retirei o que pude da barraca (saco de dormir, isolante, equipamentos) e coloquei tudo no barco. Retirei os specs e deixei a barraca semi-desmontada, pronto para partir.
A noite se arrastou, deixando-me insone e preocupado, vigiando a marca de alerta, mas nada aconteceu. Não dormi mais. Às cinco horas resolvi partir, deixando aquele que teria sido um ótimo local para acampamento.
Desci o rio na expectativa de passar a "cachoeira" do Ladeiro (ou "Criminosa"). O rio estava rápido e as remadas rendiam bem; no entanto, o tempo permaneceu fechado e bastante úmido, prenunciando novas chuvas. Perto do meio-dia cheguei à corredeira; conforme Norberto me orientou, segui por um estreito e raso canal à direita, que formava uma ilha ao lado da corredeira. Saí depois dela e só então percebi que não havia nenhum perigo; com a elevação do nível do rio ela se tornou fácil e mansa... mas eu passara sem dificuldades pelo canal.
Logo a seguir a chuva voltou forte e decidi parar; procurei um local adequado, mas a mata era densa e não encontrei nada. Parei em um rancho e pedi para montar minha barraca no terreno. O dono, Francisco, me recebeu de forma hospitaleira, ajudou-me a desembarcar, emprestou-me toalha e sabonete e tomei um banho quente! Enquanto isso, ele e seu pai, também Francisco, já preparavam o almoço, para o qual fui convidado.
Depois fui levado a conhecer a propriedade e decidi voltar ao rio, pois a chuva passara. Agradeci aos meus anfitriões, amáveis como todos os mineiros que conheci nesta expedição, e segui meu caminho.
Parei uns dez quilômetros adiante e montei acampamento. Tive muito tempo para acampar. À noite verifiquei minha posição: ainda faltavam uns 50 km até Pirapora. Precisava chegar no dia seguinte, aniversário de minha filha Luciana. Acordei cedo e remei forte por cerca de 5 horas.
Cheguei a Pirapora às 13:30 horas e me encantei com as pontes, as corredeiras, a paisagem magnífica! O rio se espalhava por uns 300 metros de largura, movendo-se suavemente antes da velha ponte férrea meio abandonada...
Fui recebido por Tina, gestora do vapor Benjamin Guimarães, onde fiquei hospedado. Magnífica embarcação construída em 1913, percorreu o Mississipi, depois o Amazonas, chegando, finalmente a Pirapora, onde serviu durante anos! Hoje transporta turistas em passeios memoráveis de 3 a 15 dias, chegando até Januária.
Agradeço a Closé, meu amigo e assessor, que me propiciou as estadas em Três Marias e Pirapora. Amanhã retomo minha viagem, revigorado pelas excelentes horas passadas nesse ícone do passado!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Cronograma Atualizado em 22/09/2009

Três Marias / MG (22/09/2009)
Pirapora / MG (130 km – 25/09/2009)
Ibiaí / MG (65 km – 27/09/2009)
Ponto Chique / MG (35 km – 28/09/2009)
São Romão / MG (40 km – 29/09/2009)
São Francisco / MG (65 km – 01/10/2009)
Pedras de Maria da Cruz / MG (02/10/2009)
Januária / MG (80 km – 05/10/2009)
Itacarambi / MG (60 km – 07/10/2009)
Matias Cardoso / MG (36 km – 11/10/2009)
Manga / MG (12 km – 12/10/2009)
Malhada / BA (12/10/2009)
Carinhanha / BA (54 km – 14/10/2009)
Serra do Ramalho / BA (90 km – 17/10/2009)
Bom Jesus da Lapa / BA (42 km – 18/10/2009)
Paratinga / BA (80 km – 22/10/2009)
Ibotirama / BA (67 km – 24/10/2009)
Morpará / BA (83 km – 27/10/2009)
Barra / BA (60 km – 29/10/2009)
Xique-Xique / BA (65 km – 01/11/2009)
Remanso / BA (165 km – 07/11/2009)
Sento Sé / BA (08/11/2009)
Sobradinho / BA (156 km – 13/11/2009)
Juazeiro / BA (40 km – 15/11/2009)
Curaçá / BA (103 km – 20/11/2009)
Santa Maria da Boa Vista / PE (40 km – 21/11/2009)
Orocó / PE (35 km – 22/11/2009)
Cabrobó / PE (30 km – 23/11/2009)
Belém de São Francisco / PE (40 km – 25/11/2009)
Paulo Afonso / BA (180 km – 01/12/2009)
Canindé de São Francisco / SE (60 km – 04/12/2009)
Piranhas / AL (05/12/2009)
Pão de Açúcar / AL (40 km – 06/12/2009)
Gararu / SE (40 km – 07/12/2009)
Traipú / AL (15 km – 08/12/2009)
Porto Real do Colégio / AL (52 km – 10/12/2009)
Propriá / SE (11/12/2009)
Penedo / AL (35 km – 12/12/2009)
Ilha das Flores / SE (20 km – 14/12/2009)
Piaçabuçu / AL (20 km – 16/12/2009)
Pirambu / SE (60 km – 20/12/2009)
Aracaju / SE (30 km – 22/12/2009)

Três Marias: retomada da Expedição

Chegamos a Três Marias no sábado, ao final da tarde... minha filha Mônica e minha Mory me troxeram... suas presenças ao meu lado foram um presente, uma dádiva, cuja lembrança alimentará meus pensamentos por toda a jornada! Que bom ter o apoio daqueles a quem amamos! Luciana, Mônica, Mory, Nícolas, Bruno, minha mãe querida... vocês já fazem parte dessa expedição!

Fomos recebidos pelo Secretário do Turismo, Elias e sua esposa, e por seu assessor, José Arnaldo, que carinhosamente nos acolheram e permitiram meu acesso à rádio, à população, ao jornal, ao rio... muito obrigado a todos!

Amanhã saio de Três Marias e sigo meu caminho... Norberto, lenda viva do Velho Chico, me acompanhará até à cachoeira Grande, mostrando-me os canais para superar esse obstáculo. Então serão mais cerca de 120 km até Pirapora.

Por enquanto, é esse o breve relato do reinício... é muito mais difícil retomar essa jornada do que foi iniciá-la, em São Roque de Minas, no final de maio. Parece que nosso espírito se acomodou, que nossa mente parou em um vazio do tempo e do espaço, onde me perdi de meus objetivos...

Mas esse reencontro fará com que todos os ideais alimentados durante todos os meses de preparação e quilômetros de navegação despertem novamente, e revigore meu discurso preservacionista, mais forte, mais consciente, mais convicto do que nunca de que essa é minha causa e esse é o meu caminho!

A vocês que torcem por mim, este é meu compromisso: não esmorecer jamais, e levar essa bandeira, não como um soldado, mas em meu coração, onde já estão aqueles a quem amo acima de tudo nesta vida!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Estou de volta, meu Velho Chico!


Amanhã retornarei ao meu Velho Chico... já consigo sentir as emoções que me esperam pelo caminho... é um misto de ansiedade e alegria contida, a adrenalina percorrendo as artérias e o coração batendo descompassado e inquieto! O que me espera nas curvas do rio?

Sigo para Três Marias, onde poderei falar ao povo, graças ao trabalho competente e amigo de Closé Limongi, meu anjo da guarda nessa viagem... obrigado, companheiro! Minha família, Mônica e Carmen, me levarão até o rio e de lá me despeço das comodidades do mundo moderno para ingressar de novo na Natureza... saudades de minha mãe querida, que me esperará ansiosa, sem saber ao certo por onde estou e por que faço isso, em sua ingenuidade e sabedoria que somente o tempo nos revela...

De alguma forma estarei de novo na companhia de meu pai, seu nome estampado na canoa, meu pensamento voltado pelas tantas oportunidades que tive de receber seus ensinamentos, mensagens sábias de um ser iluminado, que nos deixou órfãos de sua generosidade... no silêncio do rio, na escuridão das noites e na companhia dos animais que habitam suas margens estarei mais próximo de Ulysses, meu melhor amigo nesta vida...

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Entrevista para a EPTV Ribeirão

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No Limite da Globo



Estivemos no site de filmagem do programa "No Limite" da Rede Globo, onde convivemos por 18 horas com 6 participantes dessa disputa por um prêmio de R$500 mil. Vejam o resumo dessa visita no vídeo acima!

domingo, 13 de setembro de 2009

Top1 em sustentabilidade.

Aconteceu ontem a premiação do TopBlog.
Com mais de 10 mil inscritos, Meu Velho Chico foi eleito pelo juri popular o número 1 em Sustentabilidade.

Agradeço, em nome do meu pai, a todos que ajudaram nessa vitória.:)

premiotopblog: Júri popular – SUSTENTABILIDADE – Pessoal – Top1: Meu Velho Chico (João Carlos Figueiredo) fonte: Twitter

sábado, 5 de setembro de 2009

Patrocínios e Doações - última chamada!

Transcrevo aqui o que já está escrito em meu blog porque acredito até o fim nas possibilidades de reverter expectativas não desejadas. Exemplo disso é o Prêmio Top Blog de Sustentabilidade que conquistamos pelo Júri Popular, nossa maior homenagem! E também nossa participação assegurada no programa global "No Limite", conseguida "no limite do tempo de inscrição!".

Esse é o nosso último apelo àqueles que podem influenciar pessoas e empresas a investir no Meio Ambiente. Muitos acreditam que somente as grandes ações trazem resultados significativos. No entanto, o que muda mentalidades, o que transforma pessoas é o esforço individual, a semente plantada uma-a-uma na consciência das pessoas, gerando uma "corrente do bem"!

Abaixo, transcrevo o meu texto, que consolida argumentos por patrocínios e doações. Conto com todos vocês: leitores de meu blog, amigos, companheiros de luta, políticos, empresários, organizações não governamentais. Leiam atentamente meu texto, considerando que ações perversas e empresários inescrupulosos estão vencendo essa batalha contra a Natureza.

__________________________________________________________

O aquecimento global, os desmatamentos, a ocupação agrícola descontrolada, a exploração intensiva do solo e o uso de defensivos agrícolas cada vez mais potentes, a construção de barragens de grandes proporções, provocam desequilíbrios ambientais irreversíveis, tais como a redução assustadora das reservas de água potável em todo o mundo, sinalizando um futuro desolador para a humanidade.

O Brasil é um país privilegiado pelos seus recursos naturais, principalmente hídricos e potáveis, os maiores do mundo. No entanto, todos esses fatores mencionados vêm causando degradação acelerada de nossas reservas naturais, aproximando-nos, perigosamente, dos limites suportáveis e reversíveis de exploração. Por outro lado, os previsíveis e iminentes conflitos internacionais pela posse desses recursos sinalizam riscos cada vez maiores à nossa soberania e sobrevivência, na medida em que demonstramos não ser capazes de administrá-los e protegê-los.

A bacia do São Francisco é um complexo hídrico e ecológico singular, uma vez que totalmente inserida em nossas fronteiras, com grande extensão navegável, quase uma centena de afluentes permanentes, e enorme extensão de terras banhadas por suas águas, e delas dependentes para seu cultivo e sobrevivência.

O principal produto de nosso projeto será a publicação de um livro ilustrado em cores, relatando a situação de pobreza das populações ribeirinhas, a poluição e o assoreamento das águas do São Francisco e seus afluentes, em toda a sua extensão, e documentando, através de fotos e depoimentos, a percepção e o sentimento dos habitantes das localidades visitadas.

Entendemos que ações como esta poderão provocar, a curto e médio prazos, a mudança da mentalidade de políticos, de autoridades e da própria população do país quanto ao uso e preservação de nossos recursos naturais.

Às empresas interessadas em patrocinar a expedição, serão oferecidas inserção de Nome, Logomarca e Link:

1. nos sites e blogs da expedição
2. em banners utilizados em palestras e entrevistas
3. nas páginas de abertura do livro a ser editado
4. no documentário a ser produzido com as filmagens
5. em qualquer evento ou exposição de fotografias do projeto

Além desses benefícios, as empresas patrocinadoras terão seu nome vinculado a ações de preservação ambiental e de comprometimento com a recuperação de um dos mais expressivos rios brasileiros: o Velho Chico!

Para contatos de patrocínio:
-enviar email para jotafig@hotmail.com
-ligar para (16) 9256-0665 ou (16) 3421-3210

Para doações:
-efetuar depósito em nome de:

João Carlos Figueiredo
Banco: 033 - Santander
Agência: 0257 - Higienópolis
Conta: 01.02.6440-1
CPF: 653.057.448-49

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O dia em que o Sol não nasceu

Naquela noite fomos todos dormir cedo. Havíamos caminhado o dia todo, a mochila pesando em nossos ombros... e o deslumbramento, ainda, da caverna que enchera nossos olhos! Não esperava encontrar uma gruta no alto da montanha, em meio àquela mata fechada e diante da paisagem que se estendia por quilômetros à nossa frente... era uma pequena travessia e nos levava ao outro lado do Castelo, como se conhecia esse local privilegiado, no meio do vale do Pati.

Montamos nosso acampamento à beira de um regato, próximo a uma daquelas casinhas rústicas que dominam o vale com sua singela beleza... o jantar foi preparado em grupo, como de costume, e conversamos, ainda extasiados pelo cenário que se registrou em nossas mentes. Seria difícil dormir com toda essa excitação, apesar do cansaço. Mas a noite veio lentamente pelo vale, escondeu o sol por detrás de suas paredes, e trouxe uma brisa refrescante.

Adormecemos...

Já era tarde quando eu despertei; mas me pareceu noite... a escuridão era total! Olhei em meu relógio: 10:22 horas! Não é possível, pensei!... estava tão escuro que precisei utilizar a lanterna, apesar das estrelas que tomavam toda a abóbada celeste. Olhei com deslumbramento para a Via Láctea, um rastro de névoa branca percorrendo o céu de um lado a outro.

Olhei ao meu redor e só então percebi que todos estavam de pé, igualmente perplexos com aquela noite em pleno dia, olhando para o céu, incrédulos como eu. O que significava isso? Por que o Sol não cumpriu sua obrigação de nos trazer de volta o dia?

Aos poucos, meus olhos se acostumavam com a escuridão e eu já podia perceber melhor as sombras e contrastes da Natureza ao redor. Mas notei, também, estupefato, que animais noturnos não se recolheram, e aqueles de hábitos diurnos saíram de suas tocas e esconderijos e não sabiam o que fazer. Cheiravam o ar e se entreolhavam; moviam-se com receio e permaneciam afastados das trilhas, como a pressentir que algo errado estava acontecendo.

Não podíamos desmontar o acampamento, mas também não tínhamos como ficar inertes ali, sem saber o que se passara durante aquela noite prolongada. Preparamos nosso café da manhã na expectativa de que tudo se esclarecesse com o evoluir das horas. Podia ser um eclipse?

Já era meio-dia quando decidimos partir, mesmo no escuro, e tentar contato com a civilização que deixáramos há mais de 10 dias, no início de nossa viagem. Era difícil caminhar pela mata à noite, mas tínhamos nosso GPS e a carta topográfica da redondeza. Só não podíamos nos afastar demais das trilhas, para não complicar ainda mais nossa situação.

Caminhávamos lentamente... agora tanto fazia a hora de parar e montar acampamento! Fazíamos pequenas paradas para descansar, comer e reidratar. Quase não conversávamos, pois estávamos assustados e temerosos diante desse fenômeno inexplicável. Tentamos nos manter nos vales dos rios, seguindo no sentido de sua correnteza. Certamente ele nos levaria para algum povoado, embora isso não mudasse em nada essa estranha realidade.

Para não perder a noção do tempo, anotávamos as horas e a localização em cada parada. Seguimos assim por três dias, acampando quando encontrávamos uma "clareira" (essa palavra perdera o sentido diante dessa situação), até chegar a Guiné, um pequeno povoado, um distrito de Mucugê. Pelo relógio eram três horas da madrugada, mas as ruas estavam repletas de pessoas assustadas e incrédulas. As beatas rezavam, de terços nas mãos; as crianças corriam de um lado para outro, achando graça da liberdade de estar na rua a essa hora da noite; as lojas e bares funcionavam, pois os comerciantes se aproveitavam para vender mais; os bêbados faziam a maratona 24 horas de embriaguês!

A polícia e as autoridades não sabiam o que fazer! A televisão não funcionava e as linhas telefônicas estavam tão congestionadas que ninguém conseguia completar uma ligação. Carros de som bradavam o "fim do mundo", enquanto grande parte da população chorava e gritava palavras desconexas, às vezes xingamentos sem nenhum propósito!

Curiosamente, no horizonte havia uma tênue luminosidade avermelhada, como se os raios de sol procurassem uma fresta para voltar à vida... não havia essa luz quando estávamos nas trilhas... será que tudo voltaria ao normal? Os cães ladravam nervosos, atacando todos que aparecessem à sua frente; o delegado mandou matá-los, mas a população não permitiu.

As notícias que chegavam, esporadicamente, das poucas ligações completadas, eram contraditórias e apavorantes! Alguns diziam que o mundo inteiro mergulhara nas sombras; outros, que a Terra se desprendera de sua órbita e vagava pelo Universo sem controle; outros ainda diziam que espíritos malignos desceram à Terra e buscavam as almas depravadas para levá-las para o Inferno! O pânico se alastrava e bandos de desocupados invadiam as lojas, levando tudo o que podiam: comida, roupas, aparelhos elétricos... mas levar para onde? levar para que?

Alto-falantes foram instalados nas ruas e mensagens de ordem eram pronunciadas continuamente, tentando restabelecer a tranquilidade à população. Mas não adiantava; os próprios locutores denunciavam seu pânico na voz balbuciante. Os mais preparados tentavam organizar grupos de defesa civil, arregimentando pessoas mais controladas. Porém, não havia tempo para que esses grupos se entendessem e formulassem planos eficazes diante do desconhecido.

Foi nessa situação que chegamos a Mucugê, horas depois, levados por uma kombi velha conduzida por um motorista apavorado. O veículo sacolejara tanto que estávamos todos enjoados e doloridos. Mas era preciso seguir para um lugar com mais recursos, pois sabíamos que em Guiné não tinha o que fazer para controlar a situação.

Para nossa surpresa, os moradores de Mucugê estavam tranquilos e conversavam animadamente nas ruas e praças da cidade. Procuramos o prefeito e relatamos o caos de Guiné e buscamos informações sobre o fenômeno sobrenatural. Apesar da aparente tranquilidade, ninguém podia esclarecer nada! O mundo estava mesmo na escuridão!

No quarto dia, um fraco sinal de tevê podia ser captado. Uma tela foi colocada na pracinha e o povo se reuniu diante daquele ícone, como se fosse um altar, um oráculo que, a qualquer momento, traria um esclarecimento lógico, uma explicação científica ou religiosa para a escuridão do mundo... mas os noticiários eram tão confusos quanto o povo!

O tempo se passava e os mantimentos se escasseavam nas prateleiras. Já não havia muitos bens essenciais e a população tentava sobreviver com coisas mais simples, como sementes, leite em pó, frutas, verduras... os animais haviam sido abatidos e devorados nos primeiros dias, em um ritual satânico impressinante, que nada deixava a dever para Fellini em Satyricon! Os que sobraram fugiram dos cercados, ou foram libertados pelas almas bondosas...

Dez dias depois do anoitecer já não havia água potável nas torneiras; os riachos foram contaminados pelos dejetos lançados, pois não havia nenhum serviço público que funcionasse: coleta de lixo, saúde, segurança, educação, transporte... tudo sucateado em meio a preocupações com o pânico cada vez mais violento! Assassinatos, saques coletivos, brigas violentas se sucediam e tornavam quase impossível a vida nos aglomerados urbanos.

Nós fugimos de Mucugê enquanto era possível, e nos refugiamos no leito seco de um rio; mudávamos de lugar continuamente para evitar que fôssemos descobertos. Mantínhamos vigília o tempo todo, alternando as sentinelas, enquanto os demais cuidavam de nossa sobrevivência. Nossos mantimentos também escasseavam, mas conseguimos montar um plano de baixo consumo e de coleta que ainda nos sustentava. Não podíamos fazer nada além disso.

Uns trinta dias depois que o fenômeno aconteceu, o mau cheiro se alastrava pelo ar, cada vez mais próximo de nós. Nos lugarejos, queimavam corpos em fogueiras para evitar epidemias. As mortes por violência diminuíam na medida em que a população quedava adoecida e fraca, a ponto de não mais lutar pela própria vida. Usávamos lenços improvisados sobre o rosto para reduzir o risco de contágio e prolongar a vida, ainda esperançosos de que tudo teria um fim.

Sabíamos que o Sol estava em algum lugar; que a Terra não se afastara de sua órbita; caso contrário, já teríamos morrido de frio. Nossas teorias eram extravagantes e, não fosse a trágica situação, até engraçadas... dizíamos que a Natureza se sublevara contra a agressão do Homem e escondera o Sol em suas matas, nas cavernas ou nas profundezas do oceano...

Para alguns de nós, até fazia sentido... durante nossa caminhada, antes do escurecer, constatamos, inúmeras vezes, a marca da degradação causada pelo homem, nos rios, na extinção das espécies animais e vegetais, nas montanhas... é claro que não havia um deus das florestas, mas estávamos sendo punidos, de alguma maneira. Contar casos e elaborar hipóteses para a escuridão era nosso único entretenimento, fora a busca incessante por comida.

Não sei quanto durou a escuridão. Nós também morríamos lentamente e, depois de algum tempo que me pareceu a eternidade, eu estava só, dentro daquela caverna, no alto da montanha. Às vezes saía para olhar o horizonte: as chamas devastavam tudo que sobrou e iluminavam a paisagem. Voltava para dentro e não fazia nenhuma diferença; havia muito tempo que minhas baterias se acabaram e eu estava na completa escuridão. Aprendi o caminho, instintivamente, de tanto percorrê-lo, e encontrava com facilidade o leito preparado nas pedras. Aos poucos, desanimei de viver e de esperar... e resolvi ficar aqui dentro até que tudo se consumasse... acho que essas serão minhas últimas palavras...

Na boca da caverna, a silhueta de um felino me observa...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Ambientalista, autor de blog premiado, é recebido na Prefeitura

Ambientalista, autor de blog premiado, é recebido na Prefeitura

Ao ser recebido pelo assistente da Secretaria de Governo e representantes da Secretaria do Meio Ambiente, o ambientalista falou sobre seu trabalho, que tem como referência a recuperação do rio São Francisco

Difícil acreditar que um analista de sistemas aposentado, seja, há cerca de 10 anos, um estudioso e ferrenho defensor da natureza a ponto de ter elaborado um “Protocolo do São Francisco”, numa analogia ao “Protocolo de Kyoto”, ratificado em 1999 no Japão e que defende o combate ao aquecimento global. Numa experiência solitária, João Carlos Figueiredo, 59 anos, iniciou em 30 de maio, a navegação pelo rio São Francisco, que tem 2.700 km de extensão e área de bacia de 640 mil Km2. Sua navegação começou pela nascente, em São Roque de Minas. Durante 23 dias navegou pelo rio até chegar em Três Marias.

O trabalho de Figueiredo pela preservação do meio ambiente tem agora o apoio da Prefeitura de Ribeirão Preto. Nesta quarta-feira ele e sua esposa, acompanhados de assessores da Secretaria do Meio Ambiente, foram recebidos pelo assistente do secretário de Governo, Marcos Papa, que se comprometeu a divulgar seu trabalho junto a outras prefeituras da região tendo em vista a importância de apoio logístico para a continuidade de sua experiência. A decisão tem o respaldo da prefeita Dárcy Vera, que dedica atenção especial aos projetos ambientais.

Figueiredo mantém um blog meuvelhochico.blogspot.com, premiado entre os três melhores blogs de sustentabilidade do País. Foi escolhido pela Rede Globo de Televisão para participar, por um dia, do programa “No Limite”, provavelmente no próximo domingo. Conta, com orgulho, que participou de um “Curso de Formação de Educadores ao Ar Livre”, realizado na Chapada Diamantina e coordenado pela ONG canadense Outward Bound Brasil (OBB). Essa sua experiência lhe será útil pelo resto da vida, já que pretende continuar sua navegação do ponto onde parou e concluí-la até dezembro, quando pretende chegar à foz do São Francisco, em Aracaju.
“O que as pessoas precisam entender é que a sobrevivência de um Parque Nacional depende, sobretudo, da bacia hidrográfica. A natureza é uma cadeia que inclui água, solo, vegetação e fauna e não se pode esquecer de nenhum desses itens num trabalho preservacionista”, explica Figueiredo.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

ESTAREMOS "NO LIMITE"!

Meus caros amigos, hoje recebi minha segunda boa notícia desta semana: fui selecionado para passar um dia nas locações do programa "NO LIMITE", da TV Globo, no Ceará!

Por que seria esta uma boa notícia?

Em primeiro lugar porque é um programa polêmico, em um local paradisíaco e possui grande penetração de mercado. Durante os últimos 9 meses enviei centenas de correspondências tentando obter patrocínio para minha expedição. Procurei as maiores empresas do país, principalmente aquelas localizadas na região da bacia do São Francisco, e não consegui nenhuma resposta positiva, nem mesmo apoio logístico para as portagens nas represas! Chego a pensar que o destino da humanidade não tem a menor importância para a humanidade!

Mas a verdadeira razão de meu entusiasmo é que terei um público imenso a perceber minha presença! Espero, sinceramente, corresponder às minhas próprias expectativas! Além disso, terei a entrega do Prêmio Top Blog de Sustentabilidade, em São Paulo, no dia 12 de setembro. E, finalmente, no dia 17 de setembro, com algum atraso inevitável, estarei de volta à minha jornada pelo rio São Francisco! E seguirei minha viagem...

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Unidades de Conservação - ainda falta muito a proteger!


Observando o mapa do Instituto Chico Mendes à esquerda, verifica-se que os estados de Minas Gerais e Bahia, assim como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins, possuem poucas Unidades de Conservação; além disso, no percurso do rio São Francisco não existe nenhum Refúgio de Vida Silvestre, apesar da rica fauna da região: onças pintadas, lobos-guará, pássaros...

Minha homenagem ao TOP BLOG

No momento em que escrevo esse post ainda não saiu o resultado dos TOP 3 de cada categoria do Top Blog. No entanto, quero manifestar minha satisfação por ter participado dessa saudável disputa entre os melhores blogueiros do país! Escrever em um blog é uma atividade nova para mim. E percebo o poder desse instrumento, que dá, a qualquer pessoa, voz ativa para expressar suas idéias, sem censuras, sem privilégios, sem obrigações senão as de sua própria consciência.

Estar nessa competição me fez melhor; obrigou-me a pensar em profundidade os temas com os quais estou comprometido desde o momento em que decidi realizar minha expedição. Talvez não o tivesse feito com tanto empenho, se não estivesse entre os Top 100... saber que existem leitores que frequentam nossas páginas é um incentivo, um estímulo e um compromisso! Por isso, durante esses meses pesquisei a web em busca de organizações não governamentais vinculadas ao tema "preservação do rio São Francisco", li o que foi possível, meditei sobre a vida no rio e em seu entorno, assisti documentários, e me envolvi completamente com o assunto! Tornei-me mais engajado, comprometido e preocupado em transmitir a "minha" mensagem, pois ela seria "ouvida" por dezenas de pessoas interessadas pelo destino de nossos rios, ecossistemas, meio ambiente...

Dentro de poucos dias estarei de volta ao rio, remando por devoção à minha causa, e esperando poder interferir no destino do Velho Chico, confiando que essa mensagem chegue às autoridades, empresários, educadores e estudantes, e lhes alcance o coração; que ela não chegue tarde, que haja tempo, ainda, para que as ações humanas sejam suficientes para mudar o destino do Planeta, e que essa expressão tão bela deixe de ser um texto poético e se torne uma profecia:

"A Terra não é uma herança de nossos pais, mas um empréstimo de nossos filhos!" E que, por isso, cada ser humano aprenda a consumir menos, a ser mais responsável, a ter cuidados com a Vida, a deixar menos pegadas em seu caminho, a amar a Natureza como se ama um filho, pois ela é o nosso maior legado à civilização que virá depois de nossa passagem por aqui.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Principais Aquíferos da bacia do São Francisco




Fonte: Articulação Popular "São Francisco Vivo"

Articulação defende um Projeto Popular de Revitalização do São Francisco

Mais de 100 delegados representando 43 organizações e movimentos sociais de toda a Bacia do São Francisco encerraram, no dia 23 de agosto, a participação no II Encontro Popular do Rio São Francisco, mantendo como prioridade de ações para os próximos dois anos da Articulação Popular pela Revitalização do São Francisco, a defesa de um projeto Popular de Revitalização do “Velho Chico”. A proposta surgiu em meio às constatações de que os grandes empreendimentos econômicos que degradam o rio têm avançado e que o programa de revitalização proposto pelo governo pouco fez para a real recuperação do São Francisco.

Na “Carta de Carnaíba”, documento final do evento, a Articulação denuncia o avanço de atividades degradantes em toda a Bacia, muitas delas incentivadas pelo PAC (Projeto de Aceleração do Crescimento). O cenário aponta como condição necessária para a revitalização, a prevenção de novos danos à bacia. Por essa razão, também está sendo priorizado o enfrentamento aos grandes projetos de mineração, agrohidronegócio, barragens (energia) e o fortalecimento da luta contra a Transposição.

No Projeto Popular de Revitalização proposto pela Articulação Popular do São Francisco, uma das alternativas apontadas para reverter esse estado atual de degradação é a garantia e o incentivo a demarcação, titulação e desintrusão das terras e territórios das comunidades tradicionais. Como as populações indígenas; os quilombolas, os pescadores e as comunidades de Fundos e feichos de pastos, que preservam um modo de vida de pouco impacto ao ambiente natural da bacia e com os quais ainda pode-se aprender muito quanto à preservação dos rios.

“Um projeto construído a partir das populações que vivem ao longo do rio, envolvendo os grupos e as comunidades, será em prol da vida. Ao contrário dos projetos do governo que estão contaminados por interesses econômicos”, analisa Maria Tereza Corujo, do Movimento pelas Serras e Águas de Minas, uma das participantes da Articulação.

Denúncias recentes feitas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) confirmam a sua fala. O TCU determinou que o Ministério da Integração Nacional suspendesse a contratação de empresas para execução e acompanhamento de programas ambientais relacionados à transposição do Rio São Francisco, devido aos indícios de sobrepreço nos valores orçados relativos à mão de obra, passagens e aluguel de veículos, manutenção e combustível. O TCU encontrou sobrepreço de 64,03% no aluguel de veículo leve e de até 90,74% no valor das passagens aéreas.

Além das denúncias do TCU, o programa de Revitalização do governo também é alvo de críticas do presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF), Thomaz Matta Machado. Na sua opinião, não existe um programa, mas apenas ações isoladas de esgotamento sanitário. “Existe muito dinheiro orçado para a Revitalização, mas sem a implementação real desses gastos”. Machado aponta também uma outra contradição no projeto proposto pelo governo. “A revitalização tem que trabalhar a questão da diminuição da vazão e não apenas a questão da qualidade da água. Na prática, as ações em execução priorizam o saneamento ambiental. A quantidade de água na bacia e no Rio São Francisco não está sendo considerada”.

A preocupação de Thomaz Machado é pertinente. Em estudo publicado pela Journal of Climate, da Sociedade Metereológica Americana, o fluxo de água do rio São Francisco caiu 35% no último meio século. “O programa de revitalização tem que vir da sociedade”, defende.

Idéia compartilhada pelos participantes do encontro na Carta de Carnaíba: “O cerne da nossa luta é o Projeto Popular para o São Francisco – Terra e Água, Rio e Povo”

Fonte: Informe da Comissão Pastoral da Terra – Regional Bahia, publicado pelo EcoDebate, 28/08/2009

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A História das Coisas

Tomei esse vídeo emprestado do excelente blog de Rosana Kutnikas, "Meio Ambiente e etc" porque considero sua mensagem imprescindível para o entendimento de nosso compromisso com a preservação ambiental. Convido-os a assistir!

Parabéns pelo seu blog, Rosana!

Cronograma Ajustado da Expedição


Considerando a retomada da viagem no dia 20 de setembro próximo e partindo de Três Marias, este passa a ser o cronograma estimado da expedição. As distâncias entre as localidades são estimativas baseadas em medições no Google Earth e podem sofrer distorções e aproximações. As datas apresentadas entre parêntesis correspondem à chegada prevista nas localidades e incluem o tempo de permanência na localidade precedente.

Três Marias / MG (90 km20/09/2009)
Pirapora / MG (130 km – 23/09/2009)
Ibiaí / MG (65 km – 25/09/2009)
Ponto Chique / MG (35 km – 26/09/2009)
São Romão / MG (40 km – 27/09/2009)
São Francisco / MG (65 km – 29/09/2009)
Pedras de Maria da Cruz / MG (30/09/2009)
Januária / MG (80 km – 03/10/2009)
Itacarambi / MG (60 km – 05/10/2009)
Matias Cardoso / MG (36 km – 09/10/2009)
Manga / MG (12 km – 10/10/2009)
Malhada / BA (10/10/2009)
Carinhanha / BA (54 km – 12/10/2009)
Serra do Ramalho / BA (90 km – 15/10/2009)
Bom Jesus da Lapa / BA (42 km – 16/10/2009)
Paratinga / BA (80 km – 20/10/2009)
Ibotirama / BA (67 km – 22/10/2009)
Morpará / BA (83 km – 25/10/2009)
Barra / BA (60 km – 27/10/2009)
Xique-Xique / BA (65 km – 30/10/2009)
Remanso / BA (165 km – 05/11/2009)
Sento Sé / BA (06/11/2009)
Sobradinho / BA (156 km – 11/11/2009)
Juazeiro / BA (40 km – 13/11/2009)
Curaçá / BA (103 km – 18/11/2009)
Santa Maria da Boa Vista / PE (40 km – 19/11/2009)
Orocó / PE (35 km – 20/11/2009)
Cabrobó / PE (30 km – 21/11/2009)
Belém de São Francisco / PE (40 km – 23/11/2009)
Paulo Afonso / BA (180 km – 29/11/2009)
Canindé de São Francisco / SE (60 km – 02/12/2009)
Piranhas / AL (03/12/2009)
Pão de Açúcar / AL (40 km – 04/12/2009)
Gararu / SE (40 km – 05/12/2009)
Traipú / AL (15 km – 06/12/2009)
Porto Real do Colégio / AL (52 km – 08/12/2009)
Propriá / SE (09/12/2009)
Penedo / AL (35 km – 10/12/2009)
Ilha das Flores / SE (20 km – 12/12/2009)
Piaçabuçu / AL (20 km – 14/12/2009)
Pirambu / SE (60 km – 18/12/2009)
Aracaju / SE (30 km – 20/12/2009)

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Desenvolvimento Sustentável: paradoxo possível?

O debate entre “desenvolvimentistas” e “ambientalistas” evidencia as enormes contradições dessas palavras. Existe o “Desenvolvimento Sustentável” ou seria apenas uma quimera, um jogo de marketing que oculta intenções não manifestadas de desviar a atenção dos incautos sobre a devastação incontrolada de nossos recursos naturais?

A primeira contradição a ser resolvida é: “os ambientalistas são contrários ao desenvolvimento social, econômico, científico e tecnológico da humanidade?” Certamente que não! No entanto, a evolução não pode se dar mediante a destruição do meio ambiente! Aliás, isso não é necessário! As áreas ditas “produtivas” hoje existentes são grandes o bastante para abastecer toda a população do mundo, inclusive em crescimento moderado por muitos anos. Além disso, a evolução tecnológica e o aumento da produtividade assegurariam o ajuste das áreas produtivas ao aumento do consumo, desde que este se dê em níveis toleráveis.

E esta é a segunda questão!

O consumismo da sociedade contemporânea não tem precedentes na História da Humanidade! Nunca se consumiu tanto! NUNCA SE PRODUZIU TANTO LIXO! Hoje é comum, em uma sociedade “desenvolvida”, uma família ter um veículo, um celular, um computador para cada pessoa, dois ou mais televisores e uma imensa lata de lixo! Uma residência de classe média nessas sociedades costuma ter dois ou mais banheiros, com chuveiros de alta potência de consumo de energia. Cada habitante dos grandes centros urbanos produz mais lixo do que consegue consumir de alimentos! Cada veículo transporta apenas um passageiro (o motorista), em percursos de 20 a 50 km por dia, consumindo energia renovável ou não!

A humanidade continua crescendo a taxas superiores a 2,5% ao ano, sendo que esses indicadores são maiores para as sociedades mais pobres e carentes. Ou seja, o mundo não conseguirá vencer a batalha da pobreza, mantidos esses níveis de crescimento. Pior do que isso: a produção não será suficiente, os empregos não serão suficientes, a água potável se tornará escassa até mesmo nos grandes centros desenvolvidos do mundo contemporâneo, daqui a poucos, muito poucos anos!

A população do mundo precisa parar de crescer!

Diante desse quadro alarmante, o que seria um “Desenvolvimento Sustentável”?

Em primeiro lugar, nenhuma ação será suficientemente eficaz sem distribuição das riquezas e eliminação dos bolsões de pobreza. A miséria é a célula cancerosa que se espalhará por todo o organismo social, matando-o. É imprescindível eliminar a pobreza! O problema é: qual o ser humano RICO que estaria disposto a abrir mão de parte de sua riqueza para mitigar a fome de seu semelhante em troca de nada, simplesmente por compaixão e caridade? Nenhum, certamente!

E se for para salvar sua própria vida?

Sim, salvar a vida, pois a miséria se espalhará pelo mundo na medida em que os espaços cultiváveis forem ocupados, deixando atrás de si terras devastadas. Hoje, o mundo se caracteriza pelo retorno das “plantations”, as enormes áreas de monocultura de soja, de cana de açúcar, de trigo, de eucalipto, de pinus... as imensas pastagens... e as áreas de cerrado se queimando, para se transformar em novas “plantations”, as florestas sendo queimadas, para se transformar em pastagens... um dia todas desaparecerão!

Mas a humanidade continuará a crescer, a consumir desesperadamente, e a produzir lixo, muito lixo! E as fontes de energia não renováveis se extinguirão; e as novas fontes de energias renováveis consumirão terras que produziam alimentos; e as fontes de água potável se tornarão insuficientes para matar a sede de prováveis 10 bilhões de habitantes; e um exército de sedentos e famintos percorrerá a Terra em busca de saciar suas necessidades, matando e roubando, se for preciso, transformando nosso planeta em um local desprezível, pior até do que as mais trágicas ficções do cinema que costumamos assistir entusiasticamente, até com certo "prazer" mórbido, como se não nos dissesse respeito...

E não mais existirão “ambientalistas”, que desaparecerão junto com a Natureza, consumidos pela ambição desmesurada dos seres humanos, que conquistaram o poder e determinaram a prevalência de seus “valores desenvolvimentistas” e imediatistas, em detrimento da preservação da própria espécie! Mas então não existe saída?

Claro que existe! E ela é óbvia, como todas as grandes verdades!

O primeiro passo é ter consciência dessas possibilidades catastróficas e não compactuar com elas. É apoiar causas ambientalistas, sem paixão, mas com responsabilidade! Hoje, a maioria das pessoas acredita que "o ambientalista é uma espécie de herói, a quem é dado o poder de salvar a humanidade, sem que cada um precise fazer a sua parte!" Isso é impossível, injusto e irracional! Para que haja uma saída são necessários os esforços e o comprometimento dos políticos, dos empresários, dos educadores e do povo!

O que deve ser preservado? Essa é a primeira grande questão! As reservas ecológicas existentes, supondo que sejam preservadas, seriam suficientes para assegurar a preservação das espécies e garantir o futuro da Humanidade? Olhando para a Amazônia, foco de todas as ações atuais, o que ainda pode ser salvo? O Pará está condenado pelas madeireiras, mineradoras, pecuaristas e agro-indústrias, assim como grande parte do Mato Grosso. O Amazonas ainda pode ser salvo, assim como Roraima e outros estados. Mas é preciso um estudo detalhado daquele ecossistema para entender o que NÃO PODE SER DESTRUÍDO sob pena de causar um efeito de sucessivas degradações até a extinção final do meio ambiente.

A Natureza é um organismo extremamente frágil e sensível; às vezes, basta eliminar uma fonte de água para acabar com todo o ecossistema; veja, por exemplo, o Cerrado. Sua rica e exótica vegetação depende das águas subterrâneas que, por sua vez, dependem do tipo de solo e dos canais nele esculpidos para se locomoverem. Basta cortar um desses caminhos, e o que vem depois será devastado! Portanto, os sistemas hídricos da Terra precisam ser profundamente estudados, compreendidos e considerados nos planos de ocupação humana.

Curiosa é a ação governamental na bacia do São Francisco! Sabendo do estado lastimável em que se encontra o rio devido às intervenções humanas, principalmente na região das nascentes, resolve investir 4,5 bilhões para tirar mais água e distribuir para outras bacias do Nordeste! Não satisfeito, e em resposta às pressões ambientalistas, cria um plano "emergencial" de "revitalização", cujos primeiros investimentos foram para saneamento de esgotos nas localidades da Bahia, próximas às obras de transposição!

Oras, se não se cuidar do rio onde ele é gerado, de que adianta cuidar dos esgotos? As cabeceiras dos rios estão sendo destruídas pelas águas das chuvas devido à queda dos barrancos, uma vez que as matas ciliares foram arrancadas pelos agricultores! É lá que precisa haver investimento! É a terra arrancada dos barrancos e arrastada pela correnteza que causa o assoreamento! É o alargamento do rio que aumenta a evaporação e reduz o volume de águas do rio! É a morte das matas que causa o desaparecimento das espécies da rica fauna da região!

Não é meu propósito escrever um tratado sobre o assunto, mas alertar para o momento crucial que estamos vivendo: nunca a sociedade teve tamanho poder destrutivo, e nunca a população chegou aos níveis críticos em que se encontra. Nunca as fontes de água doce foram tão ameaçadas, seja pelo degelo dos glaciares, seja pela contaminação dos aquíferos e das águas de superfície, seja pelo uso dessas águas para consumo industrial, seja pelo consumo doméstico sem nenhum controle, seja pelo uso indiscriminado de agrotóxicos pela lavoura!

Enfim, existe o chamado “Desenvolvimento Sustentável”? Ele é possível? Sim e não; depende do que pretendemos significar com essa expressão. Se nosso propósito é apenas de marketing, para vender “créditos de carbono”, o desenvolvimento sustentável é uma grande mentira que nos conduzirá mais rapidamente para o fim! No entanto, se houver sinceridade de propósitos, se houver determinação da comunidade internacional até para impor aos governos dos países uma atitude responsável perante os tesouros da Natureza e de sua preservação, então será possível alcançarmos juntos o desenvolvimento sustentável, desde que associado a uma política socializante e humanitária!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Monocultivo da cana devasta Cerrado no Alto São Francisco

Maria Luisa Mendonça

O cerrado é conhecido como "pai das águas", pois abastece as principais bacias hidrográficas do País. Aqui estão as nascentes do rio São Francisco e seus afluentes, como o Samburá, o Santo Antônio e o rio do Peixe, além do Rio Grande, que deságua no rio Paraná. A fauna e a flora são riquíssimas e guardam muitas espécies ameaçadas de extinção. Na Serra da Canastra foram identificadas mais de 300 espécies de aves e 7.000 espécies de plantas.

No município de Lagoa da Prata já existia uma usina de açúcar desde a década de 70, de propriedade de Antonio Luciano, "coronel" e latifundiário, conhecido como um dos maiores grileiros de Minas Gerais. Mais recentemente, a empresa francesa Louis Dreyfus adquiriu esta usina e expandiu o monocultivo de cana para a produção de etanol. Nos últimos dois anos, outras empresas participam do processo de expansão da monocultura da cana na região.

Os efeitos são devastadores. Na fazenda de Antonio Luciano chegaram até a desviar o curso do rio São Francisco para facilitar o escoamento da produção, sem licença ambiental ou estudos técnicos. Tanto no período inicial de implantação da cana, como nesta fase recente, a monocultura substitui áreas de lavouras e criação de gado, além de destruir as reservas florestais e a mata ciliar. Na implantação dos plantios, as empresas fazem queimadas clandestinas das matas nativas à noite, derrubam e enterram as árvores, para fugir da fiscalização.

"Hoje é comum encontrarmos animais mortos nas estradas, fugindo da devastação das matas. Já encontramos lobos, raposas, tamanduá-bandeira, tamanduá-mirim, lontra, quati, tatu, serpentes, garças, corujas, lagartos, além de peixes mortos no rio, como surubins, que chegam a pesar 40 quilos. Plantam cana até na beira dos rios e das lagoas", afirma Francisco Colares, professor de zoologia na Faculdade de Biologia e Meio Ambiente de Iguatama.

Segundo Colares, a usina de Lagoa da Prata utiliza a água do São Francisco em todo o processo de produção - para irrigação durante o cultivo, para lavar a cana depois da colheita e para resfriar as caldeiras no processamento. Em um dos pontos de captação, o bombeamento é de 500 litros por segundo - quantidade de água suficiente para abastecer todo o município.

O processo de expansão é intenso. A Empresa Total está construindo uma usina em Bambuí e está prevista a implantação de mais três usinas na região - duas em Arcos e uma em Iguatama, além da expansão da produção em Lagoa da Prata. O cultivo de cana chega até a Zona de Amortecimento do Parque Nacional da Serra da Canastra, considerada pelo Atlas da Biodiversidade em Minas Gerais como sendo de importância biológica extrema.

O parque fica entre as nascentes do rio São Francisco e a bacia do Rio Grande. A preservação da Zona de Amortecimento, ou área circundante ao parque, é essencial para garantir sua conservação. A produção de cana no local causa grande impacto, por seu potencial invasor, pelo intenso uso de agrotóxicos, entre outros. A Usina Itaiquara se instalou no município de Delfinópolis e plantou cana em áreas de preservação permanente, próximas ao grande reservatório de águas de Furnas.

"A cana chega até a margem do reservatório; plantam cana praticamente dentro d'água. Desmataram a área e praticaram queimadas, o que representa um grande risco para toda a região. O Ministério Público moveu uma ação contra a empresa e esperamos que a área seja recuperada em breve e que os responsáveis sejam punidos pelo dano ambiental. È necessário que os órgãos competentes fiscalizem essa atividade, pois a monocultura traz sérios problemas ambientais. O Brasil deveria priorizar uma agricultura diversificada", afirma Joaquim Maia Neto, Chefe da unidade do IBAMA responsável pelo Parque Nacional da Serra da Canastra.

O Secretário de Agricultura e Meio Ambiente do município de Luz, Dario Paulineli, descreve outros impactos na região. "A cana se expandiu rapidamente nos últimos anos. A empresa Louis Dreyfus fez muitos contratos de arrendamento com agricultores locais e o impacto ambiental foi enorme. A usina aplica o veneno de avião e atinge os agricultores vizinhos e a população das cidades. Desmatam madeira de lei, árvores protegidas por lei como o pequizeiro e a gameleira, plantam cana perto das nascentes dos rios, não respeitam os estudos de impacto ambiental. Muitos animais estão morrendo com a devastação das matas".

Para o agricultor Gaudino Correia, não vale a pena arrendar a terra. "Os contratos são de 12 anos e depois disso a cana já acabou com tudo. A usina usa máquinas pesadas para preparar a terra e causa erosão do solo. Depois queimam a cana e a cinza se espalha por toda a região. Eu não quis arrendar minha terra e estou cercado de cana. Aqui não tem mais terra para lavoura e por isso subiu tanto o preço dos alimentos. Meus vizinhos deixaram de produzir milho, feijão, café, leite e arrendaram a terra para a empresa Total. Eu ainda planto milho, feijão, e produzo leite, mas para o produtor o preço não aumentou, só para o atravessador e para a população. Ainda consigo produzir leite porque faço a ração. Se fosse comprar, não sobrava nenhuma renda. O preço da ração aumentou 50% e fica difícil criar animais".

O agricultor Sebastião Ribeiro tem a mesma posição. "A usina insistiu, mas eu não quis arrendar minha terra. Meus vizinhos arrendaram e depois ficaram com depressão, porque é o mesmo que perder a terra. O que vai acontecer se os agricultores deixarem de plantar alimentos?" Ribeiro explica também que a usina faz irrigação da cana com pivô central, usando água do São Francisco.

Especialistas alertam que não há fiscalização eficiente sobre os impactos sociais e ambientais. "O Estado deveria priorizar a preservação das nascentes dos rios. É como desgastar as veias que levam o sangue para o coração. Essa expansão tem sido muito rápida e a idéia é dobrar a produção de cana na região. A agricultura familiar vai sumir e podem faltar alimentos", afirma Lessandro da Costa, diretor da Associação Ambientalista do Alto São Francisco.

Apesar da propaganda das empresas, que dizem gerar emprego e desenvolvimento, organizações locais denunciam que as usinas não respeitam leis ambientais e trabalhistas. "Usam venenos violentos que afetam a saúde dos trabalhadores e da população. Onde antes se produzia milho, feijão, café, leite e outros alimentos, agora é só cana. Não há crédito para os pequenos produtores, mas o Banco do Brasil tem dinheiro de sobra para incentivar as grandes usinas, que destroem o cerrado e a Amazônia. Essa política vai deixar uma herança de destruição", afirma Carlos Santana, assessor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bambuí.

Ele explica que "Aqui tem serviço, mas só braçal. Os trabalhadores chegam de todas as partes do país para cortar cana e o aluguel na região aumentou muito. Outra conseqüência foi o congestionamento do sistema de saúde pública. Os cortadores de cana recebem por produção e isso causa a exploração. Muitos ficam doentes e não conseguem mais trabalhar".

O Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lagoa da Prata, Nelson Rufino, denuncia que, "A usina Louis Dreyfus causa grande destruição do meio-ambiente. O trator da empresa arranca as árvores e depois enterra para esconder o crime ambiental. Somente metade dos canais onde depositam o vinhoto é feita de cimento. Nos outros canais o vinhoto vai direto para o subsolo e para os rios. Nós chamamos o vinhoto de "água que fede".

Rufino descreve ainda os impactos sociais nos municípios da região. "As cidades estão totalmente cercadas porque a cana chega até as áreas urbanas. A empresa joga veneno de avião e o índice de câncer na população é enorme. Só na minha família temos cinco casos de câncer e isso é comum na cidade. Há mais de 140 trabalhadores afastados por problemas de saúde como tendinite, problemas de coluna, asma e outras doenças pulmonares. Temos registros de cinco casos de mortes por acidentes de trabalho. Dois trabalhadores caíram nas caldeiras, um morreu durante a queima da cana e outros dois morreram em acidentes com o trator".

Grande parte dos cortadores de cana é migrante e está vulnerável à exploração e ao preconceito. O local onde vivem em Lagoa da Prata é chamado de "Carandirú". Rufino afirma que "Para os trabalhadores a situação piorou porque perdemos renda. Ano passado fizemos uma greve de 45 dias e conseguimos um aumento de $2,50 para $2,80 por tonelada de cana cortada. Mas a empresa quer buscar uma forma de nos incriminar e está processando o sindicato".

Outra forma de manipular os trabalhadores é estimulando a competição. Para isso, a empresa os divide em grupos, de acordo com a quantidade de cana cortada. Quem não cumprir a meta não será contratado na próxima safra. Aqueles que atingem a maior meta vão para a turma dos "touros", que cortam de 17 a 25 toneladas de cana por dia. Muitos trabalhadores desse grupo foram afastados por problemas de saúde e agora são chamados de "bezerros doentes".

Mesmo em áreas onde já havia atividade agrícola, o monocultivo da cana gera um grau muito maior de devastação porque substitui agricultura diversificada por cultivos homogêneos e contínuos, o que leva à destruição total das reservas florestais. A demanda das empresas por grande quantidade de terras de boa qualidade, com acesso à água e à infra-estrutura, gera devastação dos recursos naturais e da agricultura local. Portanto, não é verdade que a indústria da cana se expande para áreas degradadas e terras marginais, como afirma o governo.

Moacir Gomes, ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bambuí, conclui que, "O presidente Lula não conhece a realidade. Como pode dizer que a cana não substituiu áreas de produção de alimentos? As usinas estão trazendo miséria e vai faltar comida na mesa da população".

- Maria Luisa Mendonça é jornalista e coordenadora da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos. Brasil de Fato, 2 de julho de 2008 - fonte: Agencia Latinoamericana de Información

domingo, 23 de agosto de 2009

Protocolo do São Francisco

Estou incluindo um abaixo-assinado eletrônico que substituirá o Protocolo do São Francisco, originalmente concebido. Essa decisão favorece maior participação pública e dá visibilidade imediata às propostas apresentadas neste documento.
O endereço eletrônico da petição onde deverá ser feita sua adesão é:
http://www.ipetitions.com/petition/velhochico
Aguardo sugestões e comentários: ajudem-me a melhorá-lo! Colabore na divulgação desse documento, enviando-o a seus amigos e pedindo a participação de todos!

Veja abaixo o texto do abaixo-assinado:
O aquecimento global, os desmatamentos, a ocupação agrícola descontrolada, a exploração intensiva do solo e o uso de defensivos agricolas cada vez mais potentes, a construção de barragens de grandes proporções, provocam desequilíbrios ambientais irreversíveis e, principalmente, a redução assustadora das reservas de água potável em todo o mundo, sinalizando um futuro assustador para a humanidade.

O Brasil é um país privilegiado pelos seus recursos naturais, principalmente hídricos, os maiores do mundo. No entanto, todos esses fatores mencionados vêm causando degradação acelerada de nossas reservas naturais, aproximando-nos, perigosamente, dos limites suportáveis e reversíveis de exploração.

Por outro lado, os conflitos internacionais pela posse desses recursos sinalizam riscos cada vez maiores à nossa soberania e sobrevivência, na medida em que não somos capazes de administrá-los e protegê-los.

A bacia do São Francisco é um complexo hídrico e ecológico singular, uma vez que totalmente inserida em nossas fronteiras, com grande extensão navegável, quase uma centena de afluentes permanentes, e enorme extensão de terras banhadas por suas águas, e delas dependentes para seu cultivo e sobrevivência.

Nesse contexto, conclamamos governadores, prefeitos e vereadores das regiões abrangidas pela bacia do São Francisco a assegurarem, em seus planos de metas e de compromissos com a população, o planejamento e a execução de ações de preservação ambiental e de recuperação das águas do rio São Francisco, seus afluentes e de seu entorno, prioritariamente a obras de transposição ou de irrigação, compreendendo:

· Tratamento de esgotos domésticos, industriais e agrícolas, antes de serem lançados aos rios;

· Recuperação da mata ciliar, principalmente nas cabeceiras dos rios e em suas confluências; vale lembrar que a extensão das matas ciliares deve ser, por lei, igual ou maior que a largura dos rios em cada uma de suas margens (e, no mínimo, de 30 metros);

· Incentivos fiscais a empresas não poluentes (indústrias, agricultura, pecuária) ou aquelas que se comprometam com prazos razoáveis em não mais poluir;

· Disciplinas escolares abordando a preservação do meio ambiente, recuperação da memória histórica, ênfase nos aspectos mais relevantes da importância do rio São Francisco, com o objetivo de se criar uma consciência ambiental sólida e consistente nas futuras gerações;

· Estabelecimento de metas de curto, médio e longo prazo para compatibilizar as atividades das empresas privadas e do setor público dos governos federal, estaduais e municipais com os objetivos propostos neste documento;

· Criação de um prêmio anual de incentivo a ações preservacionistas relevantes, com apoio de governos estaduais, municipais e federal e patrocinado por uma grande empresa de expressão nacional;

· Desenvolvimento de campanhas de conscientização e criação do dia anual de preservação do rio São Francisco.

Na passagem pelas cidades ribeirinhas, pretendemos apresentar este protocolo aos prefeitos e vereadores, buscando obter apoio político, formalizado através de assinatura eletrônica neste documento.

Em cada localidade em que passarmos será oferecida palestra de conscientização aos moradores, através da qual serão expostos os princípios do Protocolo do São Francisco e potenciais impactos à vida na bacia do São Francisco.

Ao final da expedição providenciaremos o envio do documento eletrônico aos governos federal, dos estados da bacia do São Francisco, associações de municípios, Ministérios do Meio Ambiente, das Minas e Energia, da Integração e Desenvolvimento Regional, do Turismo, dos Transportes e da Defesa, CHESF, CEMIG e CODEVASF, solicitando apoio a iniciativa e conclamando à continuidade das ações preservacionistas.

Entendemos que ações como esta poderão provocar, em curto prazo, a mudança da mentalidade de políticos, de autoridades e da própria população do país quanto ao uso e preservação de nossos recursos naturais.

O endereço eletrônico da petição onde você registrará seu apoio é:

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Uma Riqueza Incalculável!

Enquanto a quase totalidade dos países desenvolvidos já esgotou suas reservas naturais, o Brasil ainda detém parcela expressiva de seus recursos hídricos, minerais, florestais, sua fauna, cavernas e cerrados, podendo, inclusive, reverter o quadro de desmatamento, incêndios e desolação causado pelos avanços da agro-indústria, da pecuária, das madeireiras e das mineradoras.
Na Amazônia, grande parte dos territórios do Pará e do Mato Grosso já está irremediavelmente perdida pela exploração descontrolada. No entanto, cerca de quatro milhões de quilômetros quadrados de florestas ainda subsistem dentro de nossas fronteiras; isso representa metade de nossa extensão territorial como Nação.
Da Mata Atlântica, menos de 7% restaram preservados; no entanto, trata-se de uma das mais complexas biodiversidades do planeta, e localiza-se dentro dos territórios mais desenvolvidos de nosso país. Mesmo sendo uma área protegida, a Mata Atlântica sofre intensas pressões desenvolvimentistas pela sua ocupação e destruição, principalmente pela indústria extrativista.
O Cerrado tem sido devastado intensamente nos últimos 50 anos; hoje é o bioma mais ameaçado do Brasil, apesar de suas riquezas e complexidade. As plantações de soja, a criação de gado, a exploração da madeira e a produção de carvão ameaçam destruir esse frágil ecossistema, onde as águas dependem de fontes extremamente vulneráveis, como as matas de galeria, que protegem o lençol freático que as sustenta, em um "comensalismo" fantástico.
De nossas bacias hidrográficas, a Amazônica é a maior do mundo e ainda se encontra satisfatoriamente preservada. Muitos dos seus afluetes estão entre os maiores rios do mundo, seja em extensão ou em volume de águas. No entanto, as novas hidrelétricas em construção ameaçam esse território e podem acelerar a ocupação da Amazônia e sua devastação.
O rio São Francisco foi a primeira grande bacia hidrográfica descoberta no Brasil, em 1501, ainda antes do início do processo de colonização portuguesa. Por isso, ao longo desses 500 anos vem sendo ocupado e degradado continuamente, restando pouco de suas matas ciliares; a maioria de seus afluentes, e ele próprio, estão contaminados pelo esgoto doméstico e industrial, e pelos produtos químicos usados nas lavouras e pastagens; o rio se esgota lentamente.
Apesar de todos esses ataques às nossas riquezas naturais, ainda é tempo de autoridades, pesquisadores, educadores, empresários e população em geral darem-se conta da imensa riqueza que esse patrimônio natural representa hoje e poderá representar no futuro, quando as demandas por alimentos, por fármacos, por água exercerem pressões insustentáveis no mundo, devido ao crescimento populacional e ao esgotamento de outras fontes de energia.
Principalmente as águas! Sabemos que o volume de água doce no mundo é insuficiente para atender a uma superpopulação em crescimento. Quem detiver as maiores reservas de água terá um tesouro de valor inestimável em suas mãos, maior até do que representou o petróleo desde o início do século passado. Por isso precisamos criar políticas públicas que assegurem a perpetuação dessas riquezas e sua exploração controlada e sustentável...
A proteção desses recursos naturais passa, necessariamente, pela revisão dos critérios de proteção ambiental, pela definição de reservas ecológicas que protejam todos os mananciais importantes, pela imposição de penas rigorosas àqueles que poluam fontes de águas e destruam suas matas ciliares, pela definição e execução de programas educacionais voltados para a conscientização ambiental das futuras gerações que herdarão o nosso país!

Mais um aviso de que a água pode faltar

[EcoDebate] A Semana Mundial da Água teve início no domingo em Estocolmo, na Suécia, e segue até o próximo sábado com especialistas do mundo todo discutindo este líquido cada vez mais precioso.

Mas já na semana passada o tom de preocupação que domina o encontro era antecipado por Colin Chartres, presidente do Instituto Internacional de Gerenciamento de Água, ou IWMI, sigla do nome em inglês. A organização tem sede no Sri Lanka e levou para os debates da Semana da Água na capital sueca um relatório impactante sobre a necessidade de revitalização da irrigação na Ásia.

Em alerta feito numa entrevista à agência Reuters distribuída no mundo todo, o presidente do IWMI dizia que só com a conservação da água e o aumento da produtividade no campo é que será possível alimentar a população adicional de 2,3 bilhões de pessoas, a previsão de aumento populacional do planeta até 2050 — hoje estamos em 6,8 bilhões.

A Ásia é um continente que causa grande apreensão, com seus 1,5 bilhões a mais de população previstos também para 2050. Para o encontro em Estocolmo o IWMI preparou junto com a Organização de Alimentos e Agricultura, da ONU, um relatório com estudos sobre a imensa demanda de alimentos que será criada com o aumento populacional.

A questão vital é onde arrumar água para tanta gente. “Se você olhar as tendências atuais”, diz Chartres, “verá que precisaremos de muito mais água, e nós não temos”. Sem racionalizar o consumo e investir na preservação, teremos tempos bem ruins pela frente.

A agricultura é o setor que mais usa água. Em muitos países este consumo é de 70%, noutros pode chegar a 90%. Para agravar o problema, a agricultura também é altamente poluidora. No Brasil, é a segunda maior fonte de poluição, perdendo apenas para o esgoto doméstico.

Segundo Chartres, até 2030 a demanda na Índia vai exceder o fornecimento de água em torno de 20% a 40%. No momento a demanda naquele país é um pouco menor do que o suprimento.

Os problemas hídricos da Índia deviam ser tomados como um exemplo mundial, como uma precaução em relação ao que pode acontecer em outros países, caso não seja corrigido o uso descuidado da água. Outro estudo publicado também na semana passada pela revista científica Nature mostra que a escassez de água que hoje aflige os indianos tende a piorar. Conforme a publicação, as reservas do norte daquele país estão se esgotando.

O trabalho foi desenvolvido com a tecnologia do Centro de Vôo Espacial Goddard, da Nasa, e do Centro Aeroespacial da Alemanha, usando um sistema de satélites lançado em 2002 que tem a capacidade de indicar mudanças nos estoques de água do subsolo a partir de variações na gravidade terrestre.

Com este suporte, os cientistas chegaram ao indicativo de que as reservas de água no subsolo que vai da capital, Nova Délhi, até os cinturões agrícolas caiu a uma taxa de 4 milímetros de 2002 a 2008. A perda implícita é mais que o dobro do maior reservatório do país. E pior, esta queda ocorreu em anos em que não houve falta de chuvas.

Por conta disso, a questão da água entrou na agenda política indiana. E de forma meramente demagógica. Torna-se comum os políticos prometerem eletricidade gratuita para agricultores extraírem água do subsolo.

O ponto dramático da questão é que a escassez vem em grande parte exatamente dessa prática. A chamada Revolução Verde indiana aumentou de forma extraordinária a produção agrícola fazendo uso da água subterrânea para irrigação, recurso contrário à preservação.

As soluções de longo prazo encontradas com o estudo do IWMI também apontam longe dos gastos com projetos caros de infraestrutura. Hoje na índia, por exemplo, os políticos estão pensando em grandes programas de transferência de água dos rios, a exemplo do que vimos no Brasil, com a obsessão pela transposição do rio São Francisco.

Chartres diz que há uma porção de coisas que se pode fazer antes de optar para estes esquemas caríssimos. A conservação dos recursos hídricos e o uso equilibrado da água em todas as atividades humanas ainda é o caminho mais indicado.

Fonte: Colaboração do Movimento Água da Nossa Gente para o EcoDebate, 21/08/2009

2020 Climate Leadership Campaign

The urgency of global warming mandates that each and every one of us become climate leaders. For the first time in our lives, indeed for the first time in history, all of us must take responsibility for our climate, whether at the individual, community, company, institution, state, or national level. We are all responsible for global warming. We must all share in the leadership required to solve it, for nothing less than the fate of human civilization is at stake. The crisis is that stark, the choice is that clear, the leadership required is that urgent.

If we rise to this challenge, if we take climate leadership, we will generate climate prosperity because it is precisely our capacity to solve our greatest crisis that affords us our greatest opportunities for growth within the context of sustainability and alignment with natural systems.

Our 2020 Climate Leadership Campaign has a number of components. All these themes are integral to our 2020 Climate Leadership Campaign and constitute what we consider to be essential aspects of leadership on the issue of climate change. The themes, detailed below, include:

1. “2050 by 2020” Call to Action
2. Planning for 2020
3. Developing on line collaboration
4. Brazil 2020 Campaign
5. Timeline for first year

1. “2050 by 2020” Call to Action

At the heart of our 2020 Climate Leadership Campaign and the purpose of the of the Brazil 2020 Campaign is resolving the contradiction between what our governments are negotiating and what our scientists are asserting about the accelerating pace of global warming. This is why climate leadership is so crucial. Our scientists are telling us that we are rapidly running out of time to take decisive action. Yet our governments are acting as if they have the next forty years to reduce carbon emissions by 80% -- promising to solve the problem by 2050. This is what the Copenhagen negotiations are all about -- taking the next forty years to do what scientists tell us we need to do in the next ten.

In the meantime, CO2 emissions continue to increase and are projected in most 2050 scenarios to continue rising until they peak at around 2030. This basically allows business as usual for another twenty years. In the meantime, we are spewing into the atmosphere 70 million tons of CO2 each and every day and in fact put into the atmosphere more CO2 in 2008 than any previous year. The more our scientists discover about global warming, the more urgent the situation becomes and the more immediate the timeframe for serious action. The current world situation with regard to climate change is worse than the worst cast scenario of the IPCC in its 2007 Report.

Even more troubling is the fact that even if the governments are successful in reducing carbon emissions by 80% by 2050, this accomplishment would be essentially irrelevant to dealing with global warming in any meaningful way. A recent study by MIT states that if all the governments completely fulfill their current promises, which essentially are pointed toward reducing carbon emissions by 80% by 2050, we will have reached over 600 ppm of CO2 by then and global temperatures will have risen at least 4 degrees Celsius.

This contradiction between what the governments are negotiating and what the science says is the most crucial fact in the climate change crisis today. According to the 2006 Stern report and numerous other models, a rise of 4 degrees Celsius would put hundreds of millions of people at risk of coastal flooding each year with sea level rises of up to 25 meters. There would be dramatic reductions in water availability and increased droughts around the world. A 4C rise would lead to the loss of 85% of the Amazon rainforest, for example. Agricultural yields would radically decline and the world would face severe food shortages. Approximately 20%-50% of all animal and plant species would face extinction.

It is for these and other reasons that when he accepted the 2007 Nobel Peace Prize on behalf of the IPCC, Dr. Rajendra Pachauri said "If there's no action before 2012, that's too late. What we do in the next two to three years will determine our future. This is the defining moment." Thousands of scientists around the world agree. Lester Brown, who will keynote our conference, states bluntly that we are facing the demise of human civilization itself if we do not take action now.

Our leadership must be based on what is scientifically urgent, not on what is politically expedient. Thus our strategic intention and call is a very simple one:

What our governments are negotiating for 2050 must be accomplished by 2020 and we must all be prepared to demonstrate the climate leadership required to accomplish this.

We must somehow build a global coalition around reducing our carbon emissions by 80%, shifting the basis of our economies from fossil fuels to renewable energy and clean technologies, and reordering our lifestyles and life choices accordingly, all by 2020.

2. Planning for 2020

At the heart of what we must achieve through our Climate Leadership Campaign is to begin the process of discerning how to implement a viable pathway to reducing our carbon emissions by 80% by 2020 and doing so using available technologies and with the intent of producing prosperity and growth. We believe we can achieve a 2020 goal in a spirit of optimism and abundance. Our central thesis around 2020 is that our climate crisis is a climate opportunity and that by solving global warming in a decisive manner we will also solve our financial and economic woes and generate social and economic growth.

We believe that we can accomplish this goal using available technologies and innovative thinking. We are not in a crisis because we have no solutions. We are in a crisis because we are not implementing solutions already here.

What can and should unite us is a common goal of reducing carbon emissions by 2020. We believe this is the key goal because it is specifically the release of CO2 into the atmosphere that is causing global temperatures to rise, the ice caps to melt, the droughts to multiply, the seas to increase, and the frequency and intensity of extreme weather events to so dramatically increase.

How each of us gets to the goal of reducing CO2 emissions will be different. Each community, city, region and nation will have different challenges and constraints and thus any 2020 scenario will by definition be decentralized and highly diversified. Climate leadership will have many pathways, many forms, and many results. This is as it should be. Within the context of the clearly defined common goal of “2050 by 2020,” we believe as much creativity, diversity, celebration and collaboration as possible should be encouraged.

In thinking about climate leadership by 2020, we suggest the following seven “wedges” be considered as starting points which, when taken together, make the pathway to 2020 possible:

1.Reducing reliance on fossil fuels
2.Implementing energy efficiencies
3.Creating clean technologies
4.Developing renewable energy
5.Cleaning up natural systems
6.Creating sustainable lifestyles
7.Establishing a culture of sustainable growth


You will note that the first five of these are what we can do and the last two are what we believe and how we live our lives. These have to do with our interiors. This is an important part of what we mean by “Climate Leadership.” Our leadership must be as personal as it must be public and affect our lifestyles as much as it affects public policy. We cannot reduce carbon emissions by 80% and develop climate prosperity by 2020 without coming to terms with the stark fact that our lifestyles and our cultural beliefs are as unsustainable as our corporate activities and our national policies. To deal decisively with global warming, we must take an integral approach which looks at our interiors as much as our exteriors, our beliefs as much as our actions. All aspects are integrally involved in both our crisis and our solution. We will thus be using an integral framework as the operating system of our 2020 scenario planning. Climate leadership must be integral leadership.

3. Long Term Online Collaboration

In addition to exploring the imperative of “2050 by 2020” and beginning work on developing 2020 Climate Leadership Campaigns, a third crucial aspect of our conference will be how we can come together on line so that we can continue to share information and collaborate beyond the conference itself. What we are launching is a ten year initiative and thus must have a way to stay together, build momentum, and spread the word.

In this endeavor, we have partnered with the Gaiasoft corporation in the UK, which has pioneered a very sophisticated software to enable real time information sharing, active collaboration and project management. We have also partnered with the Hague Center in the Netherlands which has pioneered using the Gaiasoft technology in groups and developed “meshworks” of engagement and collaboration around interests of common concern.

4. Brazil 2020

What is also unique about our over-all 2020 Climate Leadership Campaign is the role Brazil is playing. While virtually all the countries in the world either dither or vaguely commit themselves to reducing carbon emissions by 80% by 2050, the country that seems poised to develop a national mobilization around climate leadership is Brazil. Brazil’s use of ethanol for cars is the highest in the world. Brazil already produces over 50% of all its energy from renewable sources, as opposed to 12% for the EU and 10% for the U.S. Its’ largest electric utility, Central Electric of Minas Gerais (CEMIG) generates 92% of its electricity from renewable sources and was determined by the Dow Jones Sustainability Index as the best energy company in the world in 2007.

Most importantly, Globo TV, the largest media company in Brazil and the fourth largest in the world, has committed itself to dealing seriously with global warming and is developing a sustained public education campaign on climate change. This marks the first Fortune 100 company anywhere in the world that we know of to do so, certainly the first major media company. The fact that Globo is launching a national public education campaign is a dramatic demonstration of climate leadership and may catalyze a mobilization that is national in scope. Given the increasing urgency of the climate crisis, national mobilizations are essential to plan for and to catalyze.

This kind of leadership is important because Brazil is not a small obscure country with little impact. It is one of the largest countries in the world, it is richly endowed with natural resources, its demographics are very similar to that of the world population, it is at peace with all its neighbors, its banks and its economy, though effected by the downturn in the global economy, are relatively stable and strong, and it contains the Amazon.

This is not to say that Brazil is already there. The government has shown little leadership on the issue of global warming and has tolerated, if not encouraged extensive clear cutting of the Amazon. There is also systemic exploitation of the general environment. But huge portions of Brazilian society are waking up and leaders in the Brazilian political, business and civil society sectors understand the urgency, are willing to take leadership, and are mobilizing around Brazil 2020 -- a ten year plan to green the Brazilian economy. All these reasons make Brazil an ideal nation to take the kind of leadership the world needs at this critical hour.

It is in recognition of the important role Brazil can potentially play in the global effort to demonstrate climate leadership that State of the World Forum is launching its global 2020 Climate Leadership Campaign in the city of Belo Horizonte, Brazil.

5. Timeline

Because the 2020 Climate Leadership Campaign is a ten year campaign, State of the World Forum is committed to convening a series of major conferences in different world cities through 2020 as we build a global coalition around “2020 Climate Leadership Initiatives.” What follows is what we are planning for the first year:

1. Our August 4-7 State of the World Forum in Belo Horizonte will serve two purposes. It serves as the actual launch of the global 2020 Climate Leadership Campaign and representatives from all over the world are being invited to participate. It also serves as the launch of the Brazil 2020 mobilization and representatives from media, civil society, the private sector and scientific institutions from all over Brazil will be gathering for our meeting as well. Thus there will be both a global discussion as well as a specifically Brazilian component to the August event. A significant part of the conference will also be to begin development of 2020 strategies with an emphasis on the innovative technologies and lifestyle changes that can get us there successfully.

2. The State of the World Forum in Washington, D.C. February 28 – March 3, 2010 will be the second step in the global campaign. The Washington event will again have two components: a global aspect around the 2020 Climate Leadership Campaign and it will profile the national campaigns, like Brazil 2020, that are underway by that point, such as are beginning to take shape in Australia, Mexico, and the Netherlands. The over-all goal is to empower people everywhere, personally as well as collectively, to create greener and more resilient lifestyles and communities within a 2020 timeframe with the emphasis that all of us must take up climate leadership.

3. The State of the World Forum in Rio de Janeiro August 30 – September 3, 2010 will complete our first year of convenings. By then, we will have had a year to get things underway, build constituencies, and refine our message. The Brazil 2020 campaign will have developed along with other Climate Leadership Campaigns.

One synergy that is emerging is with Peter Gabriel and his World of Music and Dance (WOMAD) festival that will be in Salvador, Brazil September 4 – 7, 2010 immediately following our Rio Forum. This allows for a significant potential for blending content and music with one of the world’s most notable activist musicians. Given what is developing, this 2010 Rio Forum could equal or be larger than the Earth Summit in Rio in 1992.

Beyond 2010, we will work together to select other countries where Forums can be convened that will emphasize efforts toward sustainability and promote 2020 Climate Leadership Campaigns. All along the way, we will be building Climate Leadership Campaigns and holding our Forums wherever they will support and nurture national 2020 campaigns. The most likely candidates for the 2011 State of the World Forum are Melbourne, Australia, Mexico City, Mexico, or The Hague, Holland.

What we would stress in conclusion is that all of the above has emerged in the last four months and is thus very dynamic and subject to change as the world situation continues to unfold, the crisis of global warming escalates, and the necessity of climate leadership becomes more urgent. We believe our strategy is in alignment with both the crisis and the solution that needs to be implemented. We are way past ad hoc solutions. Given the enormity of the crisis, only national mobilizations and decisive time-sensitive climate leadership will suffice. We believe that what is evolving, as described above, satisfies both these two requirements of scale and timing, and we are would be honored to have you join our efforts. Climate Leadership is the clarion call of our time.


Fonte: WorldForum.Org

Minas Gerais altera Lei Ambiental


Estado aprova lei pioneira no pais, restringindo para 5% o uso de matéria-prima de florestas originais para empresas em sua produção anual

Na primeira semana de agosto Minas Gerais foi sede de um dos mais importantes eventos do calendário ambiental no mundo, o 2020 Climate Leadership Campaign, que estabeleceu metas para a redução, em 30 anos, do tempo para que se atinja o controle do aquecimento global. Alinhada com a proposta no evento, a Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais (ALMG) anunciou na terça-feira (11), alterações na Lei Florestal. As mudanças visam, principalmente, o controle e redução do uso de florestas por empresas e indústrias mineiras.

As alterações preveem que até 2018 apenas 5% das florestas nativas sejam utilizadas como matéria-prima. O antigo texto afirmava que a vegetação original poderia ser utilizada em sua totalidade, desde que as empresas consumidoras replantassem duas árvores para cada uma derrubada. Sua implementação será gradual, com o percentual de utilização diminuindo em períodos de anos, até que chegue aos 5% de 2018. Entre 2009 e 2013 as indústrias poderão utilizar 15% de mata nativa em seu consumo anual total. Entre 2014 e 2017 esse percentual cairá para 10%, sendo finalmente reduzido a 5% após este segundo período.

Para incentivar a redução imediata no consumo, no entanto, o Governo mineiro promoveu, também, alterações na parte da lei que trata da reposição de árvores. As empresas que optarem por manter o consumo de matéria-prima florestal nativa até o limite de 15% terão de observar novos critérios de reposição. A utilização de 12 a 15% de consumo total proveniente de mata nativa exige a reposição do triplo do consumido, ou seja, plantar três árvores para cada utilizada. Para a faixa entre 5 e 12%, a reposição será mantida com o dobro do consumido. Para o consumo de até 5%, a reposição será simples, de um para um.

Ainda sobre a reposição de árvores, os consumidores tem novas opções para o replantio: podem optar pela participação em projetos sócio-ambientais com foco na proteção e recuperação da biodiversidade, em projetos de pesquisa científica, para recuperação de ambientes naturais junto a instituições nacionais e internacionais, ou em programas de recomposição florestal ou plantio de espécies nativas, implantação de unidades de conservação e no aperfeiçoamento técnico dos órgãos ambientais.

Outra importante modificação da lei é o sistema eletrônico de rastreamento do transporte de produtos e subprodutos florestais no Estado, permitindo um melhor controle dos pontos de carga e descarga em Minas Gerais. As empresas transportadoras que atuam no estado deverão instalar dispositivos eletrônicos em todos os caminhões e estes serão monitorados por satélite. O aparelho que será instalado nos veículos permitirá o acompanhamento da trajetória da carga identificando todos os pontos de parada desde a origem até o destino da carga.

As alterações da lei fazem parte do Projeto Estruturador Conservação do Cerrado e Recuperação da Mata Atlântica, que visa diminuir a incidência de devastação nas duas localidades por meio de ações sociais e governamentais voltadas ao meio ambiente. Só em 2008 mais de R$ 10 milhões foram investidos pelo Governo de Minas Gerais na recuperação de áreas ambientais devastadas. Com as adequações feitas na lei, Minas pode se tornar, em breve, um estado modelo no Brasil. Atualmente Minas Gerais é o único estado brasileiro no qual este tipo de lei ambiental está regulamentada.

Confira abaixo as oito principais alterações promovidas na lei ambiental de Minas Gerais:

1 – Fixação de cotas decrescentes (15% a 5%) até 2018 para consumo de matérias-primas originadas de floresta nativa.

2 – estabelecimento de regras mais rigorosas em relação ao não cumprimento dos cronogramas de suprimento estabelecidos, inclusive com a possibilidade de redução obrigatória da capacidade de produção para as empresas que não se enquadrarem nas novas regras estabelecidas, incluindo a paralisação de suas atividades;

3- eliminação do dispositivo que permitia às indústrias de ferro gusa consumirem até 100% da sua demanda, com carvão vegetal de florestas nativas, mediante ressarcimento em dobro da reposição florestal;

4 – implantação de um sistema eletrônico de rastreamento do transporte de produtos e subprodutos florestais no estado, permitindo o controle eficiente dos pontos de carga e descarga destes produtos, aliando-se, desta forma, o controle da produção e consumo destes insumos;

5 – estímulo de mecanismos alternativos à formação de plantações florestais, através de comercialização de créditos de carbono, tanto pelo aumento de estoques florestais, quanto pela adoção de alternativas de substituição energética.


6 – Novo sistema de cadastramento de produtores e consumidores de produtos e subprodutos florestais incluirá transportadores de madeira.

7 - Uma inovação é apresentada pela emenda nº 9, que define, pela primeira vez na legislação, a destinação dos recursos obtidos com a arrecadação de multas ambientais. A emenda estabelece que 50% dos recursos serão aplicados no programa Bolsa Verde, que consiste em pagamentos de serviços ambientais prestados por produtores rurais.

8 - A emenda nº 4 amplia de oito anos, como previsto anteriormente, para o máximo de nove anos, o prazo para que os consumidores de produto ou subproduto da flora (madeira, estéreos ou carvão) promovam o suprimento de suas demandas com florestas de produção na proporção de 95% do consumo total de matéria-prima florestal. Dessa forma, a adequação deverá ser feita até o ano agrícola 2019-2020.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O difícil retorno à jornada...

Já se passaram quase 60 dias desde que interrompi minha jornada. Na época, pareceu-me a decisão mais acertada diante das dificuldades financeiras e dos contratempos encontrados pelo caminho. Precisava parar e repensar minhas estratégias; era necessário trabalhar o material coletado e estudar a metodologia a seguir, em face de meus objetivos; fundamental era buscar patrocínios para cobrir os custos já realizados e suprir aqueles ainda por vir.

O tempo decorrido foi bom para esse exercício de reflexão sobre os fatos passados; todo material coletado foi revisto, reescrito e parcialmente publicado, e deu origem a novas análises e textos inspirados nas vivências recolhidas pelo caminho. No entanto, nenhum patrocínio foi conseguido e minha situação financeira se agravou.

Esgotadas as possibilidades de apoio, minha decisão foi: VOLTAR AO RIO! Pode parecer absurda e inconsequente essa escolha, mas eu não tinha alternativas: ou volto agora, ou desisto definitivamente da expedição e de meu projeto de vida. Nem tenho tempo para esperar, devido à próxima estação chuvosa, nem posso protelar meus projetos ambientalistas, sob o risco de não conseguir realizar novas expedições no futuro...

Agora estou revisando os planos e refazendo a bagagem: rever prazos, cidades a serem visitadas, ponto de retomada da expedição, saldo de alimentos dentro do prazo de validade, equipamentos eletrônicos, substituição do material que foi danificado ou perdido, revisão de vestuário e outros detalhes. É, praticamente, uma nova expedição, embora a maioria das tralhas sejam as mesmas.

Meu propósito é partir de Ribeirão Preto no início de setembro, de ônibus, para Belo Horizonte, e de lá para Três Marias. Levarei a canoa de balsa para Morada Nova de Minas, de onde retomarei a navegação, depois de refazer os remendos com silver tape. Farei isso para poder ter a experiência de remar no lago de Três Marias.

Chegando novamente à barragem, tentarei conseguir transporte para fazer a portagem, e seguirei viagem em direção a Pirapora. Nesse trecho terei três novas portagens: cachoeiras Grande e Criminosa, e corredeiras de Pirapora. Daí em diante vou até Sobradinho, onde provavelmente terei que conseguir carona nas balsas de transporte de soja até a eclusa. Sigo então até Petrolina, onde precisarei obter mais informações para o rest.o do percurso.

Sei que preciso fazer portagens em todas as barragens de Itaparica, mas desconheço as condições do rio nesse trecho, existência de corredeiras, redemoinhos e outros riscos para a navegação. Minha expectativa é de chegar à foz até o dia 15 de dezembro pois, além das portagens e das cidades, terei a visita ao Parque de Peruaçu e as próprias represas para conhecer e explorar.

Esse é o meu novo plano de ação. Pouco? Não, apenas o necessário para prosseguir...

Parque Nacional "Cavernas do Peruaçu" (Itacarambi/MG)

CAVERNAS, GRUTAS, LAPAS... É O PERUAÇU

Gruta do Janelão - Cavernas do Peruaçu
Imagine uma caverna cuja porta de entrada tenha mais de 80 metros de altura. Agora, siga o ruído contínuo de água que se ouve e descubra um rio subterrâneo - o rio Peruaçu, cortando os paredões da gruta ao longo de 4 quilômetros. Alterne trechos escuros e nichos mergulhados em intensa luz solar jorrando de clarabóias gigantescas. Coloque um pé-direito com mais de 100 metros de altura e a maior estalactite s do mundo - 28 metros medidos e comprovados pela Sociedade Brasileira de Espeleologia. Pronto! Essa é a Gruta do Janelão, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu.

Mas essa não é a única atração do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu. Há as Grutas dos Desenhos, do Caboclo, do Brejinho, do Brejal, dos Cascudos, dos Troncos, do Índio, Bonita, do Carlúcio, do Rezar, entre outras.

A majestade desse santuário espeleológico e arqueológico pode ser comprovada através das imagens da reportagem do Globo Repórter de Dezembro/2002, mas sempre faltarão palavras para retratar toda a suntuosidade do lugar. Essa reportagem encontra-se disponível na página (veja o vídeo):
"
Reportagem" do Globo Repórter sobre o Peruaçu.

Localizado no Norte de Minas Gerais, num vale de 17 quilômetros, entre os municípios de Januária, Itacarambi e São João das Missões, e entrecortado pelo Rio Peruaçu, o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu é considerado um dos mais importantes sítios arqueológicos do mundo.

Um santuário alheio à presença do homem

Atraídos pela quantidade de cavernas, sítios arqueológicos, formações rochosas em calcário e pela biodiversidade do Vale do Peruaçu, entidades e pesquisadores começaram a pressionar o poder público para que criasse uma Unidade de Conservação (UC) na região ainda nos anos 70.

Em 1989, foi oficialmente instituída a Área de Proteção Ambiental (APA) Cavernas do Peruaçu. Cinco anos mais tarde, o Governo de Minas Gerais transformou parte dessa APA no Parque Estadual Veredas do Peruaçu.

Em 1999, a pressão popular resultou na criação do Parque Nacional do Peruaçu, com 56,8 mil hectares, localizado nos municípios de Januária, Itacarambi e São João das Missões, ao longo de 92 kilômetros do Rio Peruaçu. Objetivo: preservar o valor paisagístico, geológico, espeleológico, arqueológico e histórico da região do Vale do Rio Peruaçu, à margem esquerda do São Francisco.

Além de sua importância histórica e arqueológica, a área é das mais belas. Dentro do parque nasce o Rio Peruaçu, que percorre áreas alagadas, mergulha num cânion com paredões de mais de 100 metros de altura, de lado a lado, onde esculpiu verdadeiras obras-primas no solo calcário da Província Geológica de Bambuí.

Apesar de seu potencial ecoturístico,o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu
ainda não está aberto à visitação até que fique pronto o seu plano de manejo.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Série "Cidades do São Francisco" (fonte: Wikipédia)

Januária (Minas Gerais)

Município de Januária
Brasão de Januária
Bandeira de Januária
BrasãoBandeira
Hino
Aniversário7 de outubro
Fundação30 de junho de 1833 (176 anos)
Gentílicojanuarense
Prefeito(a)Maurílio Arruda (PTC)
(20092012)
Localização
Localização de Januária
15° 29' 16" S 44° 21' 43" O
Unidade federativa Minas Gerais
MesorregiãoNorte de Minas IBGE/2008
MicrorregiãoJanuária IBGE/2008
Municípios limítrofesFormoso,Chapada Gaúcha,São Francisco,Pedras de Maria da Cruz,Itacarambi,Bonito de Minas,Cônego Marinho e Estado daBahia.
Distância até a capital603 quilômetros
Características geográficas
Área7.299,48 km²
População102,216 hab. est. IBGE/2009
Densidade9,2 hab./km²
Altitude434 metros
Climatropical
Fuso horárioUTC-3
Indicadores
IDH0,699 médio PNUD/2000
PIBR$ 212.458 mil IBGE/2005
PIB per capitaR$ 3.389,00 IBGE/2005

Januária é um município brasileiro do estado de Minas Gerais situado na região do Médio São Francisco, localizada ao lado esquerdo do Rio São Francisco. Conta com uma população de 102,216 habitantes.



História

Existem três versões acerca do surgimento do município. De acordo com a primeira versão, o nome do município é uma alusão ao fazendeiro Januário Cardoso, que morava na região e era proprietário da fazenda Itapiraçaba, localizada onde hoje se encontra o município.

Outras versões, porém, atribuem o nome a uma homenagem à princesa Januária, irmã do Imperador Dom Pedro II e, ainda, à escrava Januária que, fugindo do cativeiro, teria se instalado no Porto do Salgado (atual cidade de Januária), estabelecendo ali uma estalagem, onde os barqueiros e tropeiros do povoado se encontravam.

O município se situa às margens do rio São Francisco, que oferece excelentes praias fluviais temporárias, pesca, cachoeiras, destacando-se também grutas de formação calcária, com algumas pinturas rupestres. A presença do casario colonial na cidade pode ser observada na avenida São Francisco e ruas transversais.

Januária, antigo povoado de Brejo do Salgado, com seus três séculos de história, encanta os visitantes e a população local, não só por seus atrativos históricos e culturais, mas também por suas belíssimas e variadas riquezas naturais.

Terra de gente hospitaleira,,já teve grande importância como porto e entreposto comercial nos tempos áureos da navegação a vapor no "Velho Chico".

O município busca o seu desenvolvimento em atividades de prestação de serviços, artesanato, produção da cachaça de alta qualidade, extrativismo de frutos e essências do cerrado, e, principalmente, no incremento de atividades turísticas.


Infra-estrutura

O município de Januária possui 65 bairros divididos em sete zonas: norte, sul, oeste, leste, centro-sul, centro-oeste e centro-norte.

  • 87% das vias da cidade são pavimentadas.
  • 96% das residências são abastecidas pela rede pública de água.
  • 98% das residências são abastecidas pela rede de esgoto.
  • 65% das residências acessam a Internet Banda Larga.
  • 99,97% das casas urbanas são ligadas à rede elétrica da CEMIG.
  • 78,75% das casas rurais são ligadas à rede elétrica da CEMIG.
  • 1 telefone para cada 7,5 habitantes.
  • 2.500 unidades é a frota de veículos.


Brejo do Amparo

Igreja do Rosário

Antigo Brejo do Amparo, foi o núcleo do povoado que deu origem à cidade de Januária. Possui casario colonial e uma jóia do barroco mineiro: a Igreja da Nossa Senhora do Rosário, datada de 1688, construída em um quilombo orientado pelos jesuítas. Este templo foi um dos primeiros construídos em Minas Gerais, e tem proporções médias, sendo que no interior há um coro ao fundo e à esquerda a tribuna, cercada com guarda-corpo, em ripas trabalhadas. O piso é em campas de madeira. A nave possui dois altares, a capela-mor tem o forro pintado com motivos religiosos e altar-mor, de confecção popular; possui vários arcos com colunas torcidas, tendo ao fundo nichos para imagens.

Nos arredores localiza-se a principal zona produtora de cachaça de Januária, a comunidade denominada Sítio. Lá os visitantes tem a oportunidade de conhecer o roteiro dos alambiques e todo o processo de fabricação artesanal da cachaça.

O distrito conta com trilhas e ruas propícias para a prática do ecoturismo, e também com uma belíssima caverna,a Gruta dos Anjos.


Cachaça

Januária é considerada a capital mundial da cachaça a de melhor qualidade do mundo. O segredo está na umidade natural do solo e no clima do distrito de Brejo do Amparo.

O município detém a produção da cana-de-açúcar desde o seu surgimento. São mais de trinta engenhos nas imediações do povoado. Parte da produção da cachaça é exportada para outros estados e para todos os países europeus e asiáticos, dado o alto grau de qualidade da cachaça ali produzida.


Artesanato

O artesanato da região é passado de geração em geração como forma de sobrevivência. De origem indígena, tem características primitivas, conservando sua forma pura. A matéria-prima utilizada é extraída da natureza.

São utilizados barro, fibras vegetais, madeira, flandres ou folha de zinco, couro, algodão.

O artesanato pode ser encontrado na Casa do Artesão, Casa da Memória, Centro de Artesanato e Mercado Municipal.


Culinária

A culinária regional apresenta vários pratos saborosos, como o arroz com pequi, carne de sol, moquecas de surubim, pão de queijo, angu com quiabo, paçoca, papudo, manué, galinha ao molho pardo, feijão tropeiro com torresmo, beiju, rapadura, panelada, picado de arroz, dourado assado, vários pratos feitos com o tradicional surubim do Rio São Francisco, e ainda saborosas frutas do cerrado como umbu, pinha, tamarindo, fruta do conde, coquinho, cagaita, caju, cajuí, maxixe, cabeça-de-nego, buriti, babaçu, fava-d'anta, jenipapo, anajá, banana-caturra, utilizados na produção artesanal de sucos, licores e doces.


Folclore

É bastante expressivo o folclore de Januária, e muitas das expressões folclóricas continuam puras, preservadas de influência externa.


Educação

  • Escolas Estaduais: Bias Fortes; Maria da Abadia; Boa Vista; Caio Martins; Claudemiro Alves Ferreira; Mons. João Florisval Montalvão; Nossa Senhora de Fátima; Olegário Maciel; Pio XII; Princesa Januária; Prof. Onésimo Bastos; Profª. Zina Porto; Simão Viana da Cunha Pereira.
  • Escolas Municipais: Joana Porto; Santa Rita; Segredo; Pré. E. M. Boa Vista; Pré E.M. Joana Porto; Pré E. M. Maternal Dona Judite Jacques.
  • Escolas particulares: Prisma, Instituto Betel de Educação; Colégio Ceiva de Ensino Fundamental e Médio; Creche Servir; Escola Infantil Cantinho do Saber; Instituto Educacional Piagetiano (URIM).


Ensino superior

  • CPDL: Colégio Politécnico Dom Luciano.
  • CEIVA: Centro de Educação Integrada do Vale do São Francisco.
  • UNIMONTES: Universidade Estadual de Minas Gerais, extensão de Montes Claros.
  • IFET: Instituto Federal de Educação Tecnológica.
  • UNOPAR: Universidade do Norte do Paraná.
  • CEFETRE: Centro Federal de Educação Tecnológica e Engenharia.
  • CEFET: Centro Federal de Educação Tecnológica.
  • FUNAM: Fundação Educacional Alto Médio São Francisco.
  • UFNM: Universidade Federal do Norte de Minas.
  • FPPK: Faculdade Particular Presidente Kennedy.
  • FPSA: Faculdade Particular Santo Agostinho.

Série "Cidades do São Francisco" (fonte: Wikipédia)

São Francisco (Minas Gerais)


Município de São Francisco
Fundação5 de novembro de 1877
Gentílicosão-franciscano
Prefeito(a)José Antônio da Rocha Lima (pt)
(20092012)
Localização
Localização de São Francisco
15° 56' 56" S 44° 51' 50" O
Unidade federativa Minas Gerais
MesorregiãoOeste de Minas IBGE/2008
MicrorregiãoJanuária IBGE/2008
Municípios limítrofesUbaí, Pedras de Maria da Cruz,Pintópolis, Luislândia, Icaraí de Minas
Distância até a capital600km quilômetros
Características geográficas
Área3.299,801 km²
População54.846 hab. est. IBGE/2008
Densidade16,8 hab./km²
Altitude695 metros
ClimaTropical
Fuso horárioUTC-3
Indicadores
IDH0,689 médio PNUD/2000
PIBR$ 159.827 mil IBGE/2006
PIB per capitaR$ 2.879,00 IBGE/2006

São Francisco é um município brasileiro situado às margens do rio São Francisco, em Minas Gerais.



História

Fundada entre 1700 e 1702 por Domingos do Prado e Oliveira nasce a Fazenda Pedras de Cima, entre a beleza do rio, das pedras e dos angicos. Batizada por vários nomes como: Pedras de Cima, Pedras dos Angicos, São José das Pedras dos Angicos, São Francisco das Pedras e numa homenagem ao rio foi sacramentado o nome definitivo: São Francisco.

E cada um desses nomes tem a sua história; Pedras de Cima para distinguir do nome dado a Maria da Cruz que era Pedra de Baixo. Com o desaparecimento do proprietário Domingos do Prado e Oliveira, depois da conjuração do São Francisco, a Fazenda Pedras de Cima, tranformada em povoado de Pedras do Angicos. Emancipando da paróquia de Contendas conservou o mesmo nome, depois foi acrescido o nome de São José das Pedras dos Angicos.

Por duas vezes, sendo a última em 1850, foi incorporada ao município de Montes Claros das Formigas. Em 06/11/1866 ocorreu a emancipação eclesiástica da Paróquia de Contendas. Nesta data a Lei Provincial nº 1.356 criava o distrito de Paz com a Paróquia de São José das Contendas. Em 30/03/1871, pela Lei nº 1755, confirmada pela Lei nº 1.996 de 04/11/1873, ocorre a mudança da sede municipal da comarca do Rio São Francisco para o povoado de Pedras dos Angicos. Nesse mesmo ano desencadeia-se uma luta pela emancipação das Pedras havendo um confronto entre os partidos políticos da época: Liberais e Conservadores na Assembléia Provincial pelo mesmo motivo. A causa desse confronto era que o distrito progredia a olhos vistos, superando a sede (São Romão). A mudança da sede municipal concretizou-se em 1874, transferindo-se, também os arquivos, o que provocou a fuga do presidente da Câmara para as Pedras. No dia 12 de Junho do mesmo ano a transferência foi efetivada. Assim ficou instalado o poder executivo nas Pedras dos Angicos, em 12 de Junho de 1876, com os seguinte membros:

- Presidente - Francisco de Paula Souza Bretas - Vereadores - Justino Nunes de Macedo; Melquíades José Gomes; João Quirino da Cunha; João Antônio Magalhães; Joaquim Gomes de Abreu

O primeiro Juiz de direito foi o Dr. Francisco Manoel Paraíso Cavalcante. Em 1876, realizou-se o 1º pleito municipal da nova unidade administrativa, ficando assim construída a mesa diretora da Câmara, para o quatriênio a começar de 1877. - Presidente - Francisco de Paula Souza Bretas - Vice-presidente - João Rodrigues Néri Gangana - Vereadores - Melquíades José Gomes, Emídio Gonçalves Pereira, Valentim Ernesto da Mota e Jacinto José Gomes.

No decorrer de 1877, em outubro, por proposta do Deputado Eufrosino eleva a vila à categoria de Cidade com a denominação de Cidade Evangelina. Na mesma sessão o Deputado Taioba Júnior, apresenta a emenda de nº 7, propondo a mudança de Cidade Evangelina para São Francisco das Pedras. Em 25 de Outubro o projeto foi aprovado com a simplificação de Cidade de São Francisco. Em 1877, no dia 5 de novembro, pela Lei nº 2.416, recebeu o nome de São Francisco, deixava, assim a categoria de vila e era a mais nova e bela cidade ribeirinha.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Série "Cidades do São Francisco" (fonte: Wikipédia)

São Romão (Minas Gerais)

Município de São Romão


Fundação23 de outubro de 1668
GentílicoNão disponível
Prefeito(a)Lúcio José Rezende Dos Santos
(20052008)
Localização
Localização de São Romão
16° 22' 08" S 45° 04' 08" O
Unidade federativa Minas Gerais
MesorregiãoNorte de Minas IBGE/2008
MicrorregiãoPirapora IBGE/2008
Municípios limítrofesNão disponível
Distância até a capital595 quilômetros
Características geográficas
Área2.431,658 km²
População9.541 hab. est. IBGE/2008
Densidade3,3 hab./km²
Altitude480 metros
ClimaNão disponível
Fuso horárioUTC-3
Indicadores
IDH0,649 médio PNUD/2000
PIBR$ 34.260 mil IBGE/2005
PIB per capitaR$ 4.239,00 IBGE/2005

São Romão é um município brasileiro do estado de Minas Gerais. Localiza-se a uma latitude 16º22'07" sul e a uma longitude45º04'10" oeste, estando a uma altitude de 480 metros. Sua população estimada em 2004 era de 8.029 habitantes.

História

São Romão foi fundada em 1668, sob o nome de Santo Antônio da Manga, tendo como primeiros habitantes os índios caiapós que viviam numa ilha que divide o rio São Francisco à altura do que seria mais tarde o arraial, fundado à margem esquerda do rio.

Essa ilha foi palco de violentas batalhas travadas entre foragidos da justiça de todo Brasil e de Portugal, índios nômades ou aldeados, escravos fugidos e elementos desgarrados de antigas bandeiras, tendo como combatente principal Manoel Francisco de Toledo, designado para o policiamento do local pelo governo da província. Mais tarde, em 1936, marcada pelo inconformismo perante o jugo colonial, explodiu a revolução do sertão transformando o arraial mais uma vez em cenário de lutas tendo, desta feita, como principal combatente, o comandante Pedro Cardoso.

Após a conquista, empório comercial e ponto de ligação dos sertões com o litoral, o arraial viveu os seus dias de glória tendo sido porto de escoamento de ouro e de cunho de moedas, bem como de pedras preciosas e minerais oriundos, em sua grande maioria, de Goiás e Mato Grosso.

Em 1831 o arraial passa à condição de vila, com o peculiar nome de Vila Risonha de Santo Antônio da Manga de São Romão, homenagem do Santo do dia de sua fundação. Elevado à condição de Município em 1924 pela Lei Estadual nº 843 de 07 de Setembro de 1923, com o nome de São Romão, faziam parte de seu território os distritos de Capão Redondo (hoje Santa Fé), Arinos, Formoso e Buritis. São Romão possui atualmente dois distritos, a sede e o distrito da Ribanceira, a 12 km de distância, situado à margem esquerda do rio São Francisco.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Série "Cidades do São Francisco" (fonte: Wikipédia)

Pirapora