domingo, 26 de abril de 2009

"Declaração Universal dos Direitos da Água"

A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão, é plenamente responsável aos olhos de todos.

A água é a seiva de nosso planeta. Ela é condição essencial de vida de todo vegetal, animal ou ser humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura.

Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia.

O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.

A água não é somente herança de nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como a obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.

A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.

A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.

A utilização da água implica em respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado.

A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.

O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

sábado, 25 de abril de 2009

A Hipocrisia da Preservação Ambiental

As preocupações com o Meio Ambiente só se evidenciam quando uma tragédia de grandes proporções ocorre na Natureza. Prova disso é que o Ministro do Meio Ambiente só se manifesta anualmente, para dizer que o desmatamento "diminuiu"! Ou seja, só estão destruindo um campo de futebol por dia de nossas florestas!

O Greenpeace só sabe fazer listinhas de abaixo-assinados contra as devastações da Amazônia e contra os transgênicos, como se isso fosse fundamental! Ou então pendurando faixas na Golden Gate ou no Elevador Lacerda! E a Rede Globo criou um site para que os ingênuos constatem que existem alguns milhares de focos de incêndio na Amazônia, como se isso fosse reverter o processo de desmatamento!
Enquanto isso, Blairo Maggi, nas altitudes de seu poder governamental, e com o apoio de seus comparsas (leia-se UDR e Ronaldo Caiado!), continua devastando as florestas e os cerrados, transformando tudo em uma imensa plantação de soja transgênica! Cana de açúcar, soja e pasto já devem cobrir metade das nossas áreas agrícolas...
Programas como Globo Ecologia, Terra da Gente, Repórter ECO e correlatos mostram as belezas que se acabam e que nossos filhos e netos somente irão conhecer pelos documentários da National Geographic...
A água doce aos poucos se torna salobra ou contaminada, reservando aos nossos descendentes um mundo de fome e sem cores... nossos aquíferos não serão suficientes para mitigar a sede dos que virão; o ar será tão contaminado que precisaremos usar máscaras para respirar; a população continuará a crescer, gerando novas rebeliões e legando o ódio e o desespero aos que herdarão o mundo deixado por nós...
Enquanto isso, continuamos nossa vida de consumismo desenfreado, indiferentes aos alertas que não apenas a Natureza nos encaminha, mas também esse Capitalismo podre que fala pelo idioma das Bolsas de Valores e dos Analistas Econômicos que se divertem digladiando seu conhecimento inútil e supérfluo... tanto faz se a culpa é dos bancos ou dos especuladores; o resultado é o mesmo: alguém irá lucrar muito com isso, enquanto toda a Humanidade sofre pelo desespero da fome! Com toda a certeza, já se esqueceram de Bangladesh e de Ruanda...
A tragédia maior ainda está por vir: depois de devastada, a Floresta Amazônica se transformará em um imenso deserto! Nossos rios serão esgotos ao ar livre! Nossas cidades litorâneas serão submersas pelo aquecimento global e pelo derretimento dos Glaciares e do gelo Ártico e Antártico... não há retorno para essa destruição! O resultado será, inevitavelmente, a Morte, as lutas fratricidas, o ódio e a devastação!
E o mundo se acabará? Certamente NÃO! Ainda viveremos para "admirar nossa obra-prima": um mundo parecido com a ficção... desertos, fome, desgraça...
E os privilegiados da Elite, como ficarão? A História responde a essa indagação: basta ver o desaparecimento das grandes civilizações do passado; os Maias, os Aztecas, os Incas, os Egipcios, os Romanos, os Persas... os primeiros a serem executados serão os poderosos! Afinal, eles decidiram, pela sua "liderança" ou pelo poder imposto, o destino de cada um de nossos descendentes...
Continuemos a fingir que essa desgraça não nos atingirá! Vamos manter nossos hábitos de desperdício e de abuso, imaginando, como o fizeram os antigos, que alguma força superior reverterá a situação e nos trará de volta o Welfare State dos economistas do início do século XX!
Afinal, serão os nossos filhos e netos que herdarão a Terra, não nós...

terça-feira, 21 de abril de 2009

Preservação Ambiental

Esta semana li uma obra de Jared Diamond, "Colapso", em que o autor analisa diversas civilizações que desapareceram devido às agressões extremas que fizeram ao meio ambiente, destruindo sua própria fonte de vida, por mais absurda que possa parecer essa idéia para nós. Grandes civilizações, como os Maias, e pequenas sociedades, como a dos povos da Ilha de Páscoa, dizimaram suas fontes de água, extinguindo as proteções oferecidas pelas florestas, e determinando assim o seu destino.

Hoje resta pouco mais da metade das florestas surgidas após a última glaciação. Algumas florestas desapareceram completamente nos países de "primeiro mundo"; outras estão em fase de extinção, como a Mata Atlântica, nossa maior reserva de biodiversidade, da qual só restaram 7% preservados. Mesmo assim, quem segue para o sul do estado de São Paulo, nas imediações do PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto do Ribeira), já percebe extensas áreas ocupadas por lavouras, nas encostas das montanhas, cujos vales sofrem intensa erosão.
Assim também ocorre com o nosso rio São Francisco, cujas matas de suas nascentes praticamente desapareceram, assim como as matas ciliares, hoje quase inexistentes. Essas matas reduzem a evaporação, mais intensa nas margens, onde o rio é mais raso e, portanto, suas águas se aquecem mais rapidamente. O mesmo acontece com as áreas das represas; calcula-se que 75% das águas do São Francisco se perdem pela evaporação.
As grandes barragens do Velho Chico, Três Marias, Sobradinho e Itaparica (Paulo Afonso, Xingó e  Moxotó) reduzem a velocidade das águas, favorecendo o assoreamento do rio, ou seja, a deposição dos resíduos transportados pelas águas (solos erodidos e dejetos da grande Belo Horizonte, despejados no rio das Velhas, afluente do São Francisco), diminuindo gradualmente sua capacidade de armazenamento. As represas também se tornam obstáculos intransponíveis para as espécies de peixes que dependem da piracema para reprodução.
A pesca predatória é outro grave problema para a preservação das espécies aquáticas. A população da bacia do São Francisco depende fortemente dessa fonte natural de proteínas para sua sobrevivência. Porém, com o desaparecimento das espécies mais procuradas, outras espécies de sua cadeia alimentar também acabam por se extinguir ou crescem descontroladamente, provocando o desequilíbrio de outras espécies, sucessivamente, e comprometendo toda a fauna.
Diante da gravidade desses problemas nos perguntamos o que nós, simples indivíduos dessa sociedade, poderíamos fazer para reverter esse processo perverso de devastação. A princípio nos parece uma missão impossível, um esforço inglório, uma luta perdida. No entanto, se nada for feito, a Natureza não terá possibilidade de sobreviver por muito tempo.
Pessoas influentes, poderosas, possuidoras de grande fortuna, ou exercendo importantes cargos políticos, poderiam reverter esse quadro com ações efetivas, tais como a promulgação de leis ambientais e a exigência de seu cumprimento, o investimento de grandes somas de dinheiro em ações preservacionistas, a defesa e o controle efetivo das áreas de preservação ambiental...
Mas o que nós poderíamos fazer?
Mudar os nossos hábitos de consumo já seria uma grande contribuição: gastar menos água, evitar produtos industrializados procedentes de áreas de preservação, não adquirir móveis produzidos com madeiras de lei, não consumir carne de animais silvestres, reduzir o consumo de energia elétrica, escolher produtos que utilizam fontes renováveis, desde que estas não sejam produzidas em áreas de desmatamentos (como a cana de açúcar e o óleo de soja), consumir menos carnes de gado bovino (emissores de gás metano, que contribui fortemente para o aquecimento global, da mesma forma que  o CO2 produzido pelos veículos automotores), reduzir o consumo supérfluo estimulado pelas propagandas capitalistas, ter uma vida simples!
E, sempre que possível, protestar, manifestar sua opinião, defender seu ponto de vista!
Vale reproduzir uma frase de profundo significado preservacionista: "A Terra não é uma herança recebida de nossos pais, mas sim um empréstimo concedido por nossos filhos!"

domingo, 12 de abril de 2009

Superação

Nós, seres humanos, buscamos, permanentemente, motivações para crescer, progredir, trilhar nossos caminhos sem esmorecer. A vida seria muito monótona sem desafios... apenas os silvícolas permaneceram estagnados em suas estruturas tribais ao longo da História, preservando os mesmos hábitos, as mesmas práticas, a mesma hierarquia social, agregando poucas novidades em seus costumes... e, mesmo assim, praticaram as guerras entre nações indígenas como forma de se expressar na posse de seus territórios e na proteção de suas famílias. E, acima de tudo, encontraram meios de sobreviver sem destruir a Natureza em seu redor!

Em nosso cotidiano fazemos escolhas, declaramos propósitos e crenças, estabelecemos objetivos, tornando mais desafiadoras as conquistas, acreditando em nossa evolução material, espiritual e intelectual. Criamos estruturas complexas para as quais estabelecemos regras e limites. Porém, superar limites, rompendo regras e padrões de comportamento sempre foi o desafio maior da vida.
Fazer essas escolhas heterodoxas sem romper os liames sociais, sem nos afastarmos das relações com a comunidade em que nos inserimos é o que nos diferencia dos marginais, dos delinquentes. Mas, de certa forma, nós aventureiros também somos seres marginais desta sociedade, na medida em que não nos enquadramos nos padrões convencionais de comportamento...
Se nossos objetivos são muito ambiciosos, precisamos quebrá-los em metas menores, factíveis dentro das limitações físicas, psicológicas e intelectuais a que estamos subordinados. Quando um aventureiro busca superar seus limites, ele se defronta com seus fantasmas mais apavorantes.
Se olharmos para o objetivo final, sem perceber as passagens intermediárias que o viabilizam, provavelmente não teremos sucesso em nosso empreendimento. Atingir o cume do Everest sem utilizar os acampamentos ao longo do caminho, e sem os cilindros de oxigênio seria impossível à maioria dos alpinistas que o conquistaram.
Se Shackleton não tivesse um objetivo maior de resgatar seus homens com vida, quando saiu em sua canoa em busca de ajuda, provavelmente ele teria sucumbido no caminho. Por isso, além das metas intermediárias, precisamos de motivações maiores, altruístas, verdadeiramente motivadoras...
Percorrer o rio São Francisco da nascente à foz, sem enxergar outras razões relevantes, seria tão absurdo quanto correr 42 km sem parar. Quando Milcíades convocou Fidípedes para buscar socorro ao exército de Dario, às portas de Marathon, sabia que seu soldado daria sua própria vida, como de fato fez, para o triunfo da Grécia em sua batalha. Se é apenas uma lenda, ou se aconteceu de fato, é irrelevante para a História desse povo fantástico, que tanto conhecimento legou à Humanidade. Se nossos maratonistas contemporâneos tem consciência ou não desse mito, pouco importa, pois cada corredor terá que encontrar suas próprias motivações para superar os seus limites e vencer a maratona.
Em minha jornada, cada curva do rio, cada cidade ribeirinha, cada acampamento será uma nova conquista, uma superação que me levará ao objetivo final. E meu propósito não será apenas percorrer esse rio fabuloso em toda a sua extensão; quero fazer alguma diferença, doar meus esforços às causas ambientalistas, aprender com as lendas e folclores, reconhecer as diferenças que tornam esse povo esquecido único em sua maneira de viver, enriquecendo a Nação brasileira com sua própria vida, ainda que poucos saibam de sua existência, de seus sonhos...
Superar meus limites a cada dia me aproximará de meu objetivo final. Legar a meus netos esta aventura através de meus relatos, será um forma de manifestar o meu respeito e amor à Natureza, e dar valor à vida que me foi concedida quando voltei a este mundo...

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