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O PROJETO

Meu Velho Chico: uma expedição solitária O Rio São Francisco, o Velho Chico, também conhecido como o “rio da integração nacional”, tem sua nascente histórica localizada na Serra da Canastra, no sudoeste do Estado de Minas Gerais. Percorre os territórios de Minas Gerais e Bahia, de sul a norte, e faz a divisa dos estados da Bahia e Pernambuco, e de Alagoas e Sergipe, desaguando no Oceano Atlântico, depois de percorrer cerca de 2.800 km em território nacional.

Atualmente, um projeto de transposição de parte de suas águas para os áridos sertões nordestinos vem alimentando extensas discussões acerca da viabilidade econômica e dos impactos ambientais que poderá causar à região. A questão se agrava quando consideramos o estado de degradação das matas ciliares em toda a extensão do rio, o assoreamento de seu leito e o efetivo resultado do desvio de suas águas, nas expectativas de mudanças climáticas para a região.

É neste contexto que se insere nosso projeto de navegação fluvial a remo, que teve início em Vargem Bonita, em Minas Gerais, próximo da cachoeira Casca Danta, depois de percorrer a trilha desde a nascente, seguindo em canoa canadense por cerca de 400 km até a entrada do lago de Três Marias, e prosseguindo até a sua foz, na divisa de Alagoas e Sergipe. Cheguei a Piaçabuçu no dia 07/12/2009 depois de 99 dias no rio e um ano dedicado a este projeto.

Além desse objetivo primordial, nosso propósito também foi o de registrar e documentar as ocorrências de degradação ambiental verificadas “in loco”, através de relatos, depoimentos, fotografias e filmagem; e ainda avaliar, por meio de entrevistas, o grau de comprometimento da população ribeirinha com a preservação de seu principal rio, documentando a cultura e o folclore regionais associados ao rio São Francisco.

Na região do Parque Nacional “Cavernas de Peruaçu” pretendíamos realizar visitas a algumas de suas cavernas, com o propósito de conhecer, documentar e divulgar as riquezas do Parque Nacional, e verificar o estágio atual de implantação do seu Plano de Manejo, bem como seu potencial turístico e espeleológico. Infelizmente, por falta de apoio da prefeitura de Itacarambi e do próprio IBAMA, essa visita não se concretizou.

Um documento eletrônico intitulado "Protocolo do São Francisco" foi elaborado, com o propósito de coletar assinaturas de autoridades, estudantes, empresários, professores e comunidade ribeirinha, conclamando-os a se comprometer com a preservação ambiental, através de ações saneadoras e de conscientização ambiental. Esse documento foi encaminhado às autoridades federais, estaduais e municipais, às organizações não governamentais e à imprensa, de modo a divulgar e assegurar esse comprometimento. O documento continua disponível para assinaturas.

Finalmente, apresentamos palestras de conscientização ambiental nas localidades ribeirinhas visitadas, colaborando para a formação de uma consciência ecológica que contribua para a recuperação das áreas degradadas e para a preservação do rio, da flora, da fauna, e da população. Com isso pretendíamos associar nossa presença a campanhas regionais e nacionais de preservação ambiental.

Terminada a expedição, um livro-documentário ilustrado foi produzido, avaliando as condições encontradas durante o percurso do rio São Francisco, quanto à preservação ambiental, comprometimento político de governadores, prefeitos e vereadores, e conscientização da população ribeirinha quanto à importância e participação do São Francisco em suas vidas. Como não encontrei um patrocinador para o livro, vocês poderão lê-lo no meu blog: Meu Velho Chico: uma expedição solitária, ou baixá-lo, em PDF, no site SCRIBD!

O Expedicionário


João Carlos Figueiredo (सिद्धार्थ गौतम), 61 anos, ambientalista, mergulhador, canoista, espeleólogo, indigenista, fotógrafo amador, montanhista e escritor, trabalhou durante 35 anos em Informática. Autor de "Anhumas... meu lugar além...", livro de poemas, crônicas e contos, e do livro digital (CD) "O Ciclo do Café", sobre a história do Brasil no período de 1856 a 1932.

Desde 2000 dedica-se a atividades de aventura na Natureza, sendo mergulhador PADI, com certificações de Assistant Instructor, Dive Master, Rescue Diver, Wreck Diver, Equipment Specialist, Nitrox Specialist, Navigation Specialist, Emergency First Response e Medic First Aid, com mais de 100 mergulhos realizados no Brasil.


Montanhista, foi associado ao CAP - Clube Alpino Paulista desde 2005; participou de cursos de montanhismo, auto-resgate e escalada em rocha, e do treinamento experencial “FEAL – Formação de Educadores ao Ar Livre”, ministrado pela Outward Bound Brasil, em expedição autônoma de 15 dias à Chapada Diamantina, em novembro de 2008.

Fez treinamento intensivo de Escalada em Rocha em São Bento do Sapucaí, com Eliseu Frechou, escalando vias na Pedra do Baú, Ana Chata, e nas falésias da Divisa e Vista Aérea, além de técnicas de auto-resgate e de treinamento de ancoragem móvel em campo-escola.


Participou de visitações, trilhas e mergulhos nos
Parques Ecológicos Nacionais e Estaduais de Aparados da Serra (RS), Itatiaia (RJ), Serra da Canastra (MG), Amazônia (AM), Serra da Mantiqueira (SP), Serra do Mar (SP), Vassununga (SP), Chapada Diamantina (BA), Chapada dos Veadeiros (GO), Serra Fina (MG) e Serra da Bodoquena (MS), Parques Nacionais Marinhos de Abrolhos (BA), Laje de Santos (SP) e Ilha Grande (RJ).

Espeleólogo, participou de congressos da Sociedade Brasileira de Espeleologia e da Redespeleo, das quais é membro ativo, e realizou visitações às cavernas do PETAR - Parque Estadual Turístico do Alto do Ribeira (SP), de Cordisburgo (MG) e da Chapada Diamantina (BA).

Pela ABETA - Associação Brasileira das Empresas de Turismo de Aventura, fez os cursos de Gestão de Segurança, Gestão Empresarial e Competências Mínimas de um Condutor, através do programa Aventura Segura desta entidade.

Em 2009 percorreu toda a extensão do rio São Francisco, de canoa canadense, a remo, saindo de Vargem Bonita (MG) e terminando em Piaçabuçu (AL), em uma expedição solitária de 99 dias, tendo visitado cerca de 25 cidades e dezenas de comunidades ribeirinhas.

Finda a expedição, residiu na Amazônia Ocidental por 12 meses, trabalhando como Agente em Indigenismo pela FUNAI - Fundação Nacional do Índio, em São Gabriel da Cachoeira (AM), município com mais de 40 mil habitantes, onde mais de 90% da população é constituída de indígenas pertencentes a 25 etnias.


Missão Cumprida!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O insustentável peso do "desenvolvimento humano"

É lamentável constatar que as forças reacionárias ganham terreno na luta pelo poder, seja no Brasil ou no Mundo. A cada dia mais percebemos que o discurso desenvolvimentista ganha adeptos até mesmo entre "intelectuais", que veem nas promessas de "evolução" tecnológica, científica e econômica, a solução para a miséria e a estagnação social.

Porém, essas promessas são falsas e enganosas; a opção "desenvolvimentista" não considera a justiça social um objetivo a ser alcançado, pois o motor que conduz essa opção econômica é alimentado pelo combustível dos interesses de grandes corporações, pelo agronegócio e pelas grandes mineradoras, todos eles empenhados em crescer através do consumo descontrolado dos recursos naturais, renováveis ou não.

Aliás, essa é outra falácia do Capitalismo: não existem "recursos renováveis" quando, para sua produção, são devastadas cada vez maiores áreas de preservação ambiental. Nossas florestas, as maiores do mundo, sofrem uma pressão insustentável, movida pelo agronegócio e pela exploração dos recursos minerais. Nem mesmo as terras indígenas são poupadas, e suas lideranças já "encampam" a ideia de que não existe alternativa para o desenvolvimento desses povos originários, senão explorando exaustivamente a mineração em suas terras.

O próprio debate da crise econômica atual conduz o pensamento a supor que tudo é permitido para "salvar" o Capitalismo! Mas quem disse que esse modelo econômico é a única alternativa para a Humanidade? Com o desaparecimento da opção socialista na década de 1990 o mundo se viu diante de uma via única de pensamento econômico, ideológico e social: o Capital como força motriz da Sociedade, não importam os custos dessa via, não importa o destino do Homem na Terra a longo prazo.

Talvez nunca houve tamanha alienação intelectual como existe agora. E isso é devido à perda do principal instrumento de evolução do pensamento humano: a Dialética, a diversidade cultural, o antagonismo ideológico! Sim, pois somente através da divergência das ideias a Filosofia como Ciência maior evoluiu ao longo de nossa História.

Bem, mas o que tem isso a ver com o Velho Chico? Tudo a ver! Basta observar a condução de nossa política econômica, focada no agronegócio e na redução de nossos espaços naturais preservados. E o rio São Francisco é um dessas vítimas, na medida em que Dilma dá força total à continuidade do projeto de Transposição de suas águas e relega a segundo plano a Revitalização da sua Bacia Hidrográfica; na medida em que observamos a construção de centenas de PCH (Pequenas Centrais Hidrelétricas) nos seus afluentes.

E não é apenas o nosso Velho Chico que está ameaçado, mas também grandes rios do complexo hídrico amazônico, pela construção de hidrelétricas como Balbina, Tucuruí, Belo Monte, Santo Antônio e Jirau. Isso evidencia que não há limites para o "projeto" capitalista e tudo é permitido, desde que o Brasil cresça, nem que seja apenas em números!

O grande engodo por detrás desse pensamento é que a Humanidade só pode ser feliz se houver enriquecimento material e, mesmo assim, apenas dos poderosos, aqueles que conduzem os destinos do mundo. Ocorre que hoje as pessoas não são felizes, mesmo tendo muito dinheiro, pois perderam a sensibilidade e a capacidade de compartilhar suas vidas. Hoje acredita-se que "compartilhar" e "curtir" são apenas botões do FaceBook!

Para onde caminhamos? Qual será o destino desse mundo humano? Como será o mundo de nossos descendentes? Será que toda essa ganância e ambição compensam a perda da Beleza do Mundo Natural? Ainda que a Humanidade encontre artifícios para alimentar uma população de 10 ou 20 bilhões de homínidas, ainda que as lavouras e os pastos sejam os únicos vestígios finais da vegetação na face da Terra, para que terá valido tudo isso?

Creio que ninguém quer saber a resposta a essas indagações...

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